segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Terrorismo
Galera, possuo uma pasta com diversas matérias acerca de terrorismo desde o atentado de 2001 e pretendo, pouco a pouco, compartilhar esse material , que contará com imagens, entrevistas, críticas e opiniões, mas é claro, vou tirar um espaçozinho pra sacanear, só para não largar o hábito!
Racismo no Brasil ( Original:http://notassobrehistoria.blogspot.com/)

É engraçado como o brasileiro se especializou em esconder seu racismo. No Brasil ninguém admite ser racista, mas todo mundo conhece alguém que é:
ONDE ESTÁ O RACISMO?
- Escuta aqui, ó criolo…
- O que foi?
- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.
- E não existe?
- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca… É, não adianta. Negro quando não faz na entrada…
- Mas aqui existe racismo.
- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia… E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita.
Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!
- Eu insisto, aqui tem racismo.
- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra negro?
- Não, mas…
- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregada de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?
- Eu sei, mas…
- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.
- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.
- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.
- Mas isso é racismo.
- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.
- Sim, mas…
- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.
- Pois é, mas…
- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.
- Pois então. O …
- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.
- Mas…
- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.
- É, mas…
- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.
- Sim, mas…
- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.
Luís Fernando Veríssimo
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Esperteza de índio!!!
- Es-pe-lho.
- Eiixxpeiu
- É. Mais ou menos assim. Feita a troca?
- Hum. O que índio ganha com isso?
- Vai poder se ver, ora pois!
- Mas expeiu deixa índio feio!
- Mas índio é feio!
- Feio é a mãe. É guerra!!!
- Calma , índio. Andou lendo a bíblia? Vamos conversar?
- Hum. Branco enrolar índio.
- Tá vendo essa TV aqui? Plasma, 42 polegadas, na caixa e com garantia.
- Dá pra ver Pocahontas ? (!)
- Quantas vezes precisaire!!
- Fechado!
- Então posso levar o ouro?
- Pode. Cada grama uma TV.
- Mas isso é exploração?
- Agora não ta bom pra você, né?
- Calma aí. Tem outra coisa. Mas é um para cada tonelada de ouro, ok?
- Hum.. O que é?
- Essa incrível bola!
- Bola?
- É! Você vai chutando ela assim e o outro tenta pegar com as mãos, vê...
Melhor. Te dou duas por cada tonelada!
- Hum... Bola legal, né? E pra quê TV? Pra ver BBB? Fechado.Índio jogar bola!
- Eiixxpeiu
- É. Mais ou menos assim. Feita a troca?
- Hum. O que índio ganha com isso?
- Vai poder se ver, ora pois!
- Mas expeiu deixa índio feio!
- Mas índio é feio!
- Feio é a mãe. É guerra!!!
- Calma , índio. Andou lendo a bíblia? Vamos conversar?
- Hum. Branco enrolar índio.
- Tá vendo essa TV aqui? Plasma, 42 polegadas, na caixa e com garantia.
- Dá pra ver Pocahontas ? (!)
- Quantas vezes precisaire!!
- Fechado!
- Então posso levar o ouro?
- Pode. Cada grama uma TV.
- Mas isso é exploração?
- Agora não ta bom pra você, né?
- Calma aí. Tem outra coisa. Mas é um para cada tonelada de ouro, ok?
- Hum.. O que é?
- Essa incrível bola!
- Bola?
- É! Você vai chutando ela assim e o outro tenta pegar com as mãos, vê...
Melhor. Te dou duas por cada tonelada!
- Hum... Bola legal, né? E pra quê TV? Pra ver BBB? Fechado.Índio jogar bola!
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Pense numa puta inteligente
O Presidente entra no Café Photo, senta-se no balcão do bar ao lado de uma linda garota de programa e diz:
- Sou o Presidente de todos os brasileiros,preferido por mais de 70% dos eleitores e aclamado para resolver todos os seus probremas. Quanto você quer para passar uma noite comigo?
A **** muito inteligente responde:
- Se o Senhor conseguir fazer o seu **** crescer como fez com os juros, e mantê-lo duro como estão todos os brasileiros, levantar minha saia como está fazendo com os impostos,baixar minha calcinha como está fazendo comos salários, mudar de posição como mudou na sua vida política, e me ***** com tanto jeitinho como está **** o Povo Brasileiro... É DEGRAÇA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
http://www.chutalde.blogspot.com/
- Sou o Presidente de todos os brasileiros,preferido por mais de 70% dos eleitores e aclamado para resolver todos os seus probremas. Quanto você quer para passar uma noite comigo?
A **** muito inteligente responde:
- Se o Senhor conseguir fazer o seu **** crescer como fez com os juros, e mantê-lo duro como estão todos os brasileiros, levantar minha saia como está fazendo com os impostos,baixar minha calcinha como está fazendo comos salários, mudar de posição como mudou na sua vida política, e me ***** com tanto jeitinho como está **** o Povo Brasileiro... É DEGRAÇA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
http://www.chutalde.blogspot.com/
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Fernando Collinho de Mello
Fernando Affonso Collor de Mello, de família de políticos e jornalistas , seguiu o curso que já lhe era destinado: se enfiar no rabo do pai para aproveitar tudo. O pai, deputado federal tinha muito prestígio nas Alagoas, e daí foi fácil aproveitar o sobrenome Collor de Mello para ser nomeado , ainda na ditadura, prefeito de Maceió, e depois virar deputado federal. Collinho sempre foi na boca do peixe, nunca deu passo errado, pois as verdinhas da família iam indicando o caminho.
Em 1984, votou em favor das Diretas Já. Com o insucesso desta , votou em Paulo Mamaluf no Colégio Eleitoral.
Vendo que o PMDB ia bem e com o sucesso do Plano Cruzado de Sarney, foi eleito governador em Alagoas, derrotando o cara que tinha o colocado na política como prefeito em Maceió. Assim, Collinho provou que tinha caráter para ser presidente do país.
Usou a imprensa, na qual tinha experiência e influência , para mostrar seu “espetacular governo”. Durante a gestão empreendeu estrategicamente um combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos e desproporcionais. Com vistas a angariar apoios na campanha presidencial que estava por vir, a imprensa o tornou conhecido nacionalmente como “Caçador de Marajás”. Orientado por profissionais de marketing, anunciou com estardalhaço a cobrança de 140 milhões de dólares dos usineiros do estado para com o Banco do Estado de Alagoas, havendo diversas repercussões positivas na imprensa.
Graças a essa postura de "guardião da moralidade", “mestre dos magos”, “o senhor de todos os segredos”, “O último alface da feira”, Collinho fez uso de uma elaborada estratégia de marketing com o olhoe naquilo que o povo esperava. Afinal, quem não vai gostar de um político que persegue políticos ou que persegue ricos!
Defendeu para cacete que Sarney tinha que ficar os 4 Anos no poder, dando a entender que o apoiava ( foi o único governador PMDB a pensar assim) e num surto foi para o PRN , onde começou a colocar a culpa de toda a merda do Brasil no Sarney.
Contando com o apoio do velho safado da Globo, cresceu nas pesquisas , só porque os oponentes eram feios e não faziam a barba.
Fernando Collor ganhou em todos os estados com exceção de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro conseguiram transferir os votos de Brizola para Lula, em São Paulo o fenômeno foi a transferência de votos de Covas para Collor, ainda que Covas, pessoalmente, tenha apoiado Lula.
A maior crise enfrentada pelo governo Collor tomou forma em junho de 1991 graças a um irmão sem-vergonha chamado Pedro Caim Collor que com olho gordo nas maracutaias do presidente, começou a delatar o irmão e seu conchavo PC Farias. Em 10 de maio, Pedro Collor apresentou à revista Veja um calhamaço de documentos que apontavam o ex-tesoureiro do irmão como o proprietário de empresas no exterior e como as denúncias atingiam um patamar cada vez mais elevado a família interveio e desse modo o irmão denunciante foi removido do comando das empresas da família em 19 de maio por decisão da mãe, dona Leda Collor.
Logo, os inimigos políticos de Collor não pedream tempoe partiram para a CPI . Pouco tempo depois Fernando Collor foi à televisão e rechaçou as denúncias feitas contra a administração e com isso sentiu-se à vontade para conclamar a população a sair de casa vestida em verde e amarelo em protesto contra as “intenções golpistas” de determinados setores políticos e empresariais interessados em tirál-o do poder. Aparentemente, a coisa abrandou nos bastidores do poder.
Mas a população tava boladona e foi às ruas exigir explicações. A UNE , que naquela época não servia simplesmente para comercializar maconha e fazer raves pediu o Fora Collor!
Logo as investigações continuariam e descobririam uma porrada de esquemas que distribuía recursos por meio de uma intrincada rede de “laranjas” e de “contas fantasmas”. Como exemplos materiais desse favorecimento foram citadas a reforma na “Casa da Dinda” (residência de Fernando Collor em Brasília) , a compra de um automóvel Fiat Elba, e patrocínio para o Glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama.
Diante do relatório, era só votar e a transmissão foi exibida em rede nacional, dando o maior ibope para a CNT e para a Rede Vida. Afastado da presidência da República em 2 de outubro, Collinho foi julgado pelo Senado Federal em 29 de dezembro de 1992. Como último recurso para preservar os direitos políticos, Collor renunciou ao mandato antes do início do julgamento, mas a sessão teve continuidade. O julgamento foi polêmico e alguns juristas consideraram que o julgamento, após a renúncia, não deveria ter acontecido. Foi condenado à perda do cargo e a uma inabilitação política de oito anos pelo placar de 76 votos a 5 numa sessão presidida pelo ministro Sydney Sanches, presidente do Supremo Tribunal Federal. Mas o safado ainda anda por aí...
Em 1984, votou em favor das Diretas Já. Com o insucesso desta , votou em Paulo Mamaluf no Colégio Eleitoral.
Vendo que o PMDB ia bem e com o sucesso do Plano Cruzado de Sarney, foi eleito governador em Alagoas, derrotando o cara que tinha o colocado na política como prefeito em Maceió. Assim, Collinho provou que tinha caráter para ser presidente do país.
Usou a imprensa, na qual tinha experiência e influência , para mostrar seu “espetacular governo”. Durante a gestão empreendeu estrategicamente um combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos e desproporcionais. Com vistas a angariar apoios na campanha presidencial que estava por vir, a imprensa o tornou conhecido nacionalmente como “Caçador de Marajás”. Orientado por profissionais de marketing, anunciou com estardalhaço a cobrança de 140 milhões de dólares dos usineiros do estado para com o Banco do Estado de Alagoas, havendo diversas repercussões positivas na imprensa.
Graças a essa postura de "guardião da moralidade", “mestre dos magos”, “o senhor de todos os segredos”, “O último alface da feira”, Collinho fez uso de uma elaborada estratégia de marketing com o olhoe naquilo que o povo esperava. Afinal, quem não vai gostar de um político que persegue políticos ou que persegue ricos!
Defendeu para cacete que Sarney tinha que ficar os 4 Anos no poder, dando a entender que o apoiava ( foi o único governador PMDB a pensar assim) e num surto foi para o PRN , onde começou a colocar a culpa de toda a merda do Brasil no Sarney.
Contando com o apoio do velho safado da Globo, cresceu nas pesquisas , só porque os oponentes eram feios e não faziam a barba.
Fernando Collor ganhou em todos os estados com exceção de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro conseguiram transferir os votos de Brizola para Lula, em São Paulo o fenômeno foi a transferência de votos de Covas para Collor, ainda que Covas, pessoalmente, tenha apoiado Lula.
A maior crise enfrentada pelo governo Collor tomou forma em junho de 1991 graças a um irmão sem-vergonha chamado Pedro Caim Collor que com olho gordo nas maracutaias do presidente, começou a delatar o irmão e seu conchavo PC Farias. Em 10 de maio, Pedro Collor apresentou à revista Veja um calhamaço de documentos que apontavam o ex-tesoureiro do irmão como o proprietário de empresas no exterior e como as denúncias atingiam um patamar cada vez mais elevado a família interveio e desse modo o irmão denunciante foi removido do comando das empresas da família em 19 de maio por decisão da mãe, dona Leda Collor.
Logo, os inimigos políticos de Collor não pedream tempoe partiram para a CPI . Pouco tempo depois Fernando Collor foi à televisão e rechaçou as denúncias feitas contra a administração e com isso sentiu-se à vontade para conclamar a população a sair de casa vestida em verde e amarelo em protesto contra as “intenções golpistas” de determinados setores políticos e empresariais interessados em tirál-o do poder. Aparentemente, a coisa abrandou nos bastidores do poder.
Mas a população tava boladona e foi às ruas exigir explicações. A UNE , que naquela época não servia simplesmente para comercializar maconha e fazer raves pediu o Fora Collor!
Logo as investigações continuariam e descobririam uma porrada de esquemas que distribuía recursos por meio de uma intrincada rede de “laranjas” e de “contas fantasmas”. Como exemplos materiais desse favorecimento foram citadas a reforma na “Casa da Dinda” (residência de Fernando Collor em Brasília) , a compra de um automóvel Fiat Elba, e patrocínio para o Glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama.
Diante do relatório, era só votar e a transmissão foi exibida em rede nacional, dando o maior ibope para a CNT e para a Rede Vida. Afastado da presidência da República em 2 de outubro, Collinho foi julgado pelo Senado Federal em 29 de dezembro de 1992. Como último recurso para preservar os direitos políticos, Collor renunciou ao mandato antes do início do julgamento, mas a sessão teve continuidade. O julgamento foi polêmico e alguns juristas consideraram que o julgamento, após a renúncia, não deveria ter acontecido. Foi condenado à perda do cargo e a uma inabilitação política de oito anos pelo placar de 76 votos a 5 numa sessão presidida pelo ministro Sydney Sanches, presidente do Supremo Tribunal Federal. Mas o safado ainda anda por aí...
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Você sabe o que aconteceu em 11 de setembro de 2001?
Você sabe o que aconteceu em 11 de setembro de 2001?
(...) Resposta errada. A resposta é : eu me mudei para o bairro do Fanchem, em Queimados – RJ.
Eu estava no colégio, quando a TV da cantina da escola exibiu as primeiras reportagens ainda confusas.
Sinceramente, apesar das imagens chocantes, o número de mortos não foi tão assustador como outras catástrofes já vistas por mim. Mas o fato de ser as torres gêmeas do poderoso EUA, isso sim foi assustador. Quem teria tanta coragem?
Comprei o jornal no dia seguinte e na capa estava escrito: O medo toma conta da Terra. Às 8h53, um avião de passageiros seqüestrado foi lançado contra uma das torres do World Trade Center, símbolo do capitalismo mundial. Dezoito minutos depois, um outro avião explodia contra um segundo prédio. Menos de duas horas depois, as construções viraram pó. Em Washignton, orgulho das forças militares mais poderosas do planeta, o Pentágono, foi alvo de outro ataque aéreo kamikaze. O número de mortos é superior a 10 mil. As suspeitas dos atentados recaem sobre o bilionário líder terrorista Oasma Bin Laden, que vive no Afeganistão. De madrugada, Cabul, capital do país, foi bombardeada. O presidente Fernando Henrique ficou chocado:”Isso é loucura, pode ser a 3ª Guerra Mundial”.
De início, achei que a mídia estava supervalorizando tudo, mas entendi que na verdade, ninguém sabia direito o que acontecia, talvez, nem a aristocracia americana soubesse. Muitos especularam. Falaram besteira acima de besteira. Mas ficou a lição. A lição de que estamos muito despreparados estruturalmente e principalmente, emocionalmente, para lidar com o caos.
Permitimos que aproveitadores, desentendidos, líderes nos manipulem jogando informações imprecisas . Farenheit 9/11 traz uma sensação de nojo profundo por essa gente.
Vejam algumas manchetes ESCROTAS que circularam na época:
“ Atentados deixam o Brasil de novo na mira dos especuladores internacionais”.
“Médium brasileira garante que avisou a George Bush sobre o terror contra os EUA”.
“Pelo menos 10 mil mortos nos Estados Unidos no maior atentado da história da Humanidade”.
“Líder palestino, Yasser Arafat, doa sangue para as vítimas dos ataques”.
“ FHC se emociona com volta de brasileiros dos EUA”.
“Brasileiro surrado, confundido com árabe”.
“Pedaços das torres são oferecidos pela Internet”.
“Terror nas discursivas – O atentado de Nova Iorque é dado como tema certo nas provas que estão chegando”.
“César Maia vai ao consulado americano e oferece ajuda para o resgate de brasileiros”
“Ataques terroristas reproduzidos em jogos na Internet”
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
George Bush

Seria uma loucura não falar de Bush por aqui, não é mesmo? Algumas pessoas me perguntam o porquê, e acho sinceramente que o cara todo já é uma comédia. Deixa o Pânico e os Cassetas debocharem. Gosto de zuar onde aparentemente não se vê maneiras de sacanear. Bushinho , pode ficar tranquilo, que aqui tu tá na boa, belê?
De volta ao meu aconchego....

Abandonei um pouco o blog , mas fui surpreendido com um interessante número de visitas ( o que o Google não faz...). Pretendo retomar o caminho de busca da real história de nosso país e do nosso mundo, de uma história totalmente avessa à que aprendemos na escola e no dia - a - dia.
Vocês sabem quem é Mussolini? Pois é , o cara que fundou o partido fascista e abocanhou a liderança da Itália, apoiando-se no descontentamento da população militar.O cara não era bobo, cedeu território para a igreja fundar o Vaticano e abocanhou uma grana preta de indenização. Juntou-se a Hitler e ao Japão na Segunda Guerra e o final todo mundo já conhece : pediu penico.
O maior legado de Benito não foi a Marcha sobre Roma, não foi o território vendido à Igreja Católica, tampouco seus discursos , mas sim sua neta Alessandra.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Linha do tempo - Segundo reinado
07/04/1831 - Abdicação de Dom Pedro
17/07/1831 - Regência Trina Provisória - Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos, Francisco de Lima e Silva
1834 - Ato Adicional - Regente uno - Diogo Feijó
1835 - Cabanagem no Pará, Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul
1847 - O imperador D Pedro II cria o conselho de ministros e implanta o parlamentarismo no Brasil, segundo os moldes britânicos
1850 - Lei Eusébio de Queiroz,que punha fim, pelo menos teoricamente, ao tráfico negreiro no Brasil, trazendo desenvolvimento às indústrias.
1851 - O Brasil invade o Uruguai e evita a união entre Uruguai e Argentina
1863 - Os britânicos bloqueiam o porto do Rio de Janeiro e apreenderam cinco navios ancorados. O Brasil corta relações diplomáticas com a Inglaterra.
1865 - Início da Guerra do Paraguai
1870 - Progressivamente a mão-de-obra escrava negra foi perdendo espaço para o trabalho assalariado imigrante nas lavouras agrícolas brasileiras. O café foi se consolidando como principal produto brasileiro para a exportação, provocando uma onda de crescimento econômico como nunca havia aparecido no Brasil independente.
1871 - Lei do Ventre Livre, pela qual os filhos dos escravos nasciam livres.
1885 - Lei dos Sexagenários, escravos com mais de 60 anos, livres.
1888 - Lei Áurea , abolição da escravatura
1889 - Fim do Segundo reinado e proclamação da república, D Pedro II havia sofrido atentado 2 meses antes.
17/07/1831 - Regência Trina Provisória - Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos, Francisco de Lima e Silva
1834 - Ato Adicional - Regente uno - Diogo Feijó
1835 - Cabanagem no Pará, Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul
1847 - O imperador D Pedro II cria o conselho de ministros e implanta o parlamentarismo no Brasil, segundo os moldes britânicos
1850 - Lei Eusébio de Queiroz,que punha fim, pelo menos teoricamente, ao tráfico negreiro no Brasil, trazendo desenvolvimento às indústrias.
1851 - O Brasil invade o Uruguai e evita a união entre Uruguai e Argentina
1863 - Os britânicos bloqueiam o porto do Rio de Janeiro e apreenderam cinco navios ancorados. O Brasil corta relações diplomáticas com a Inglaterra.
1865 - Início da Guerra do Paraguai
1870 - Progressivamente a mão-de-obra escrava negra foi perdendo espaço para o trabalho assalariado imigrante nas lavouras agrícolas brasileiras. O café foi se consolidando como principal produto brasileiro para a exportação, provocando uma onda de crescimento econômico como nunca havia aparecido no Brasil independente.
1871 - Lei do Ventre Livre, pela qual os filhos dos escravos nasciam livres.
1885 - Lei dos Sexagenários, escravos com mais de 60 anos, livres.
1888 - Lei Áurea , abolição da escravatura
1889 - Fim do Segundo reinado e proclamação da república, D Pedro II havia sofrido atentado 2 meses antes.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Trabalho de Escola - Inconfidência Mineira
Inconfidência Mineira
A partir da metade do século XVII, o Brasil tornara-se a principal colônia de Portugal, que inmpunha regras próprias do sistema colonial vigente e proibições próprias dos monopólios.
Com a descoberta do ouro, instigara-se ainda mais a cobiça e isso causou por parte da metrópole um controle político e administrativo redobrado sobre o Brasil.
O ouro brasileiro era embarcado em grandes carregamentos com destino à metrópole, e os brasileiros passaram a tomar consciência da importância do Brasil para a economia de Portugal e também da exploração colonialista.
Ao mesmo tempo, era notável o fato de que, para explorar o Brasil, Portugal teve de promover seu desenvolvimento e crescimento, o que de certa forma criava condições para movimentos revolucionários, nacionalistas e separatistas.
O primeiro movimento que manifestou claramente a intenção de rompimento dos vínculos coloniais foi a Conjuração Mineira que ocorreu em Vila Rica, que atualmente se chama Ouro Preto, no ano de 1789.
A cobrança de impostos era chamada de Derrama, quando acontecia a cobrança forçada dos impostos atrasados. Era uma medida odiada e temida por todos o habitantes, que deveriam cobrir com seus recursos a quantidade que faltasse ou seriam alvo de sérias penalidades.
Como, devido à exploração excessiva, a produção havia diminuído, os impostos começaram a ser pagos em atraso, e a fiscalização foi ficando cada ve mais rígida.
A Coroa entendia que o ouro estava sendo contrabandeado, quando, na verdade, a escassez devia-se ao esgotamento das minas.
O Governador da região cometia arbitrariedades e desmandos, criando um clima de revolta.
As idéias dos filósofos que pregavam liberdade econômica e política eram amplamente divulgadas.
A independência dos EstadosUnidos, criou um exemplo que era almejado, e assim formou-se no Brasil um grupo de conspiradores que tinham como objetivo preparar nossa emancipação política.
Os elementos que compunham o gurpo eram, quase todos pertencentes a camadas superiores da sociedade mineira e interessados na independência, pois eram devedores à Coroa.
Participavam desse grupo: os poetas Tomás Antônio Gonzaga, e Cláudio Manoel da Costa; os Coronéis Domingos Abreu Vieira e Francisco Antônio Oliveira Lopes, o Padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José Alvarenga Peoxoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que tinha o apelido de Tiradentes. Suas abidicações eram:
• Proclamar independência, construindo uma república que teria como capital a cidade de são João Del Rei;
• Criar uma Universidade em Vila Rica e instalar muitas outras escolas;
• Desenvolver manufaturas por todo o país e desenvolver a agricultura, doando terras para o cultivo.
Obs: Não tinham planos para a Abolição da escravatura, e bandeira que pregavam era “Liberdade ainda que tardia”.
O plano de revolução foi denunciado por Joaquim Silério dos Reis, que em troca de informações, obteve perdão de suas dívidas para com a Fazenda Real. Ele não não foi o único traidor a participar da traição, mas também, Inácio Correia Pamplona e Basílio de Brito Malheiros.
Diante das informações da traição, os representantes da Coroa tiveram tempo de organizar suas tropas e reprimir o movimento.
Todos os componentes da Conjuração foram presos, julgados e condenados. Alguns foram condenados à morte, mas a Rainha de Portugal, na época D. Maria, modificou a pena para degredo perpétuo. Só para Tiradentes, que era um dos mais pobres e humildes, é que a pena de morte foi mantida. Ele seria morto no Rio de Janeiro (21 de abril de 1792) , na forca e depois teria sua cabeça arrancada e o resto do corpo dividido e espalhado por vários lugares, seus descendentes foram julgados infames por várias gerações, o governador deu mostras com esse fato de poder, soberania. O movimento da Inconfidência não saiu vitorioso, mas saneou o exemplo e o desejo de liberdade, o que sem dúvidas também foi um tipo de vitória.
A partir da metade do século XVII, o Brasil tornara-se a principal colônia de Portugal, que inmpunha regras próprias do sistema colonial vigente e proibições próprias dos monopólios.
Com a descoberta do ouro, instigara-se ainda mais a cobiça e isso causou por parte da metrópole um controle político e administrativo redobrado sobre o Brasil.
O ouro brasileiro era embarcado em grandes carregamentos com destino à metrópole, e os brasileiros passaram a tomar consciência da importância do Brasil para a economia de Portugal e também da exploração colonialista.
Ao mesmo tempo, era notável o fato de que, para explorar o Brasil, Portugal teve de promover seu desenvolvimento e crescimento, o que de certa forma criava condições para movimentos revolucionários, nacionalistas e separatistas.
O primeiro movimento que manifestou claramente a intenção de rompimento dos vínculos coloniais foi a Conjuração Mineira que ocorreu em Vila Rica, que atualmente se chama Ouro Preto, no ano de 1789.
A cobrança de impostos era chamada de Derrama, quando acontecia a cobrança forçada dos impostos atrasados. Era uma medida odiada e temida por todos o habitantes, que deveriam cobrir com seus recursos a quantidade que faltasse ou seriam alvo de sérias penalidades.
Como, devido à exploração excessiva, a produção havia diminuído, os impostos começaram a ser pagos em atraso, e a fiscalização foi ficando cada ve mais rígida.
A Coroa entendia que o ouro estava sendo contrabandeado, quando, na verdade, a escassez devia-se ao esgotamento das minas.
O Governador da região cometia arbitrariedades e desmandos, criando um clima de revolta.
As idéias dos filósofos que pregavam liberdade econômica e política eram amplamente divulgadas.
A independência dos EstadosUnidos, criou um exemplo que era almejado, e assim formou-se no Brasil um grupo de conspiradores que tinham como objetivo preparar nossa emancipação política.
Os elementos que compunham o gurpo eram, quase todos pertencentes a camadas superiores da sociedade mineira e interessados na independência, pois eram devedores à Coroa.
Participavam desse grupo: os poetas Tomás Antônio Gonzaga, e Cláudio Manoel da Costa; os Coronéis Domingos Abreu Vieira e Francisco Antônio Oliveira Lopes, o Padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José Alvarenga Peoxoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que tinha o apelido de Tiradentes. Suas abidicações eram:
• Proclamar independência, construindo uma república que teria como capital a cidade de são João Del Rei;
• Criar uma Universidade em Vila Rica e instalar muitas outras escolas;
• Desenvolver manufaturas por todo o país e desenvolver a agricultura, doando terras para o cultivo.
Obs: Não tinham planos para a Abolição da escravatura, e bandeira que pregavam era “Liberdade ainda que tardia”.
O plano de revolução foi denunciado por Joaquim Silério dos Reis, que em troca de informações, obteve perdão de suas dívidas para com a Fazenda Real. Ele não não foi o único traidor a participar da traição, mas também, Inácio Correia Pamplona e Basílio de Brito Malheiros.
Diante das informações da traição, os representantes da Coroa tiveram tempo de organizar suas tropas e reprimir o movimento.
Todos os componentes da Conjuração foram presos, julgados e condenados. Alguns foram condenados à morte, mas a Rainha de Portugal, na época D. Maria, modificou a pena para degredo perpétuo. Só para Tiradentes, que era um dos mais pobres e humildes, é que a pena de morte foi mantida. Ele seria morto no Rio de Janeiro (21 de abril de 1792) , na forca e depois teria sua cabeça arrancada e o resto do corpo dividido e espalhado por vários lugares, seus descendentes foram julgados infames por várias gerações, o governador deu mostras com esse fato de poder, soberania. O movimento da Inconfidência não saiu vitorioso, mas saneou o exemplo e o desejo de liberdade, o que sem dúvidas também foi um tipo de vitória.
Trabalho de Escola : Iluminismo
ILUMINISMO
Os séculos XVII e XVIII viveram o ápice do estado absoluto (moderno), a adolescência da sociedade burguesa e o confronto entre o desenvolvimento capitalista com os entraves tradicionalistas do Antigo Regime. O progresso técnico, científico e intelectual fermentou uma nova ideologia: um conjunto de idéias em sintonia com a necessidade burguesa de superar as barreiras sobreviventes da antiga ordem feudal, encarnada agora no absolutismo e nas práticas sócio-econômica do Estado Moderno.
Nesse contexto, a razão passou a ser o guia infalível do conhecimento, do saber, da verdade.
A partir de Newton, de Descartes e das ciências naturais, John Locke transferiu o primado da razão para a política e para a análise social. A crença na bondade natural do homem e sua imensa capacidade de ser feliz abalou, com a crítica com o estudo racional, os pilares do Estado absoluto. As luzes, a iluminação da capacidade humana, o porvir, a superação do mundo existente, incentivaram a oposição à velha ordem. O anseio de liberdade, de romper com o antigo regime, fez dos grandes pensadores deste período os responsáveis pelo “Século das Luzes”, o século XVIII.
Autores
Os principais representantes destas idéias, desta revolução ideológica, defendendo a queda do Antigo Regime, minando suas bases e preparando ideologicamente as condições para a Revolução Francesa de 1789, foram:
John Locke (1632-1704) – obra principal “Segundo Tratado do Governo Civil”.
Para i inglês Locke, contemporâneo da Revolução Gloriosa de 1688 na Inglaterra, os homens possuem a vida, a liberdade e a propriedade como direitos naturais principais. Para preservar esses direitos, os homens deixaram o estado de natureza (vida mais primitiva da humanidade) através de um contrato entre si, estabelecendo o governo e a sociedade civil. Assim, os governos têm por fim respeitar os direitos naturais e, caso não o façam, caberia à sociedade civil o direito de rebelião contra um governo tirânico. Em síntese, demolia-se o sustentáculo lógico do Estado absoluto, um estado intocável e acima da sociedade civil, como defendera Maquiavel, Bossuet e Hobbes.
“Ao governante não lhe caberia jamais o direito de destruir, de escravizar, ou de empobrecer propositadamente qualquer súdito; as obrigações das leis naturais não cessam, de maneira alguma, na sociedade, torna-se até mais fortes em muitos casos” (Locke)
Barão de Montesquieu (1689-175) – obra principal “O Espírito das Leis”
Montesquieu sistematizou a teoria da “divisão de poderes”, já esboçada por Locke. Defendeu que os países deveriam ser governados por três poderes: legislativo, executivo e judiciário. Classificou os governos em despóticos, monárquicos e republicanos. Condenando o primeiro e, de acordo com a população, clima e extensão do país, admitia a Monarquia ou a República. Opunha-se também ao direito de voto para aqueles que s encontravam “num estado de baixeza muito profundo”.
“Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou a mesma corporação... exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as desavenças dos particulares”; “Só se impede o abuso do poder quando pela disposição das coisas, o poder detém o poder” (Montesquieu).
Voltaire (1694-178) – obra principal “Cartas Inglesas”
François Marie Arouet, pseudônimo Voltaire, criticou principalmente a Igreja Católica e os resquícios feudais, como a servidão. Propugnou por um governo, por uma monarquia ilustrada, isto é, um rei esclarecido pelos filósofos. Apesar de ferrenho crítico da Igreja, era, ainda assim, deísta. Acreditava que Deus estava presente na Natureza, no Homem, e que para encontrá-lo, a razão serviria como guia infalível. Assim, defendia a crença num ser supremo.
Voltaire é sempre destacado por sua palavra irreverente, sarcástica e demolidora.
“Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”; “O maior dos crimes, pelo menos o mais destrutivo, e conseqüentemente o mais oposto à finalidade da Natureza, é a guerra. E, no entanto, não há um agressor que não tinja essa malfeitoria com o pretexto de justiça”; “É proibido matar e, portanto, todos os assassinos são punidos, a não ser que o façam em larga escala e ao som das trombetas”; “O povo tolo e bárbaro precisa de uma canga, de um aguilhão e feno”.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) – obra principal “O Contrato Social”
Constituiu uma exceção do conjunto iluminista, na medida em que criticava a burguesia e fundamentalmente a propriedade privada, “raiz das infelicidades humanas”. Para Rousseau, a propriedade privada foi quem introduziu a desigualdade entre os homens, em vários graus.
“O primeiro homem a quem ocorreu pensar e dizer isto é meu, e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassinos teriam sido evitados ao gênero humano se aquele, arrancando as estacas, tivesse gritado: Não, impostor!”
Contudo, fazia eco ao conjunto Iluminista, integrando-se na crítica à ordem absolutista.
“A tranqüilidade também se encontra nas masmorras, mas é isso suficiente para que seja agradável o lugar em que se vive? Renunciar à liberdade é renunciar a ser homem” (Rousseau).
O Fisiocratismo – As mesmas idéias antiabsolutistas dirigidas contra o mercantilismo, advogando uma economia livre da tutela do estado, funcionando segundo suas leis naturais, formaram o fisiocratismo (fisio = natureza). Através do seu “quadro econômico”, Quesnay, fundador dessa escola, partiu do pressuposto de que a terra é a única fonte de riqueza, daí a importância maior da agricultura dentro da economia. Afirmava ainda que a atividade econômica, como todos os fenômenos que ocorrem no universo, é dotada de leis naturais, cabendo ao estado garantir o livre curso da natureza. Era seu lema: “Laissez, faire, laissez passer...”, deixa fazer, deixa passar, ou seja, liberdade para a produção e para o comércio.
O liberalismo econômico – Foi Adam Smith (1723-1790) que sistematizou a análise econômica, demonstrando leis e fundando a economia moderna, ou seja, a Economia como ciência. Defendia o trabalho como fonte inequívoca de riqueza e não a terra como os fisiocratas. Condenava o mercantilismo, demonstrando em tal prática um entrave lesivo a toda ordem econômica. Por meio da livre concorrência, da divisão do trabalho e do livre comércio, a harmonia e a justiça social seriam alcançadas. A sua obra “... riqueza das Nações” é considerada a “Bíblia do Capitalismo”, iniciadora da economia política clássica.
A Enciclopédia – Publicada em 1751 e 1780, constituiu um resumo das idéias iluministas e fisiocratas. Foi organizada pelo matemático D’Alembert e pelo filósofo Diderot, contando com o trabalho de 130 colaboradores. Foram suas idéias principais:
valorização da razão (racionalismo) como substituto da fé;
valorização da atividade científica como meio para se alcançar um mundo melhor;
critica à igreja católica e ao clero pelo comprometimento com o estado absoluto;
o deísmo – crença em Deus como força impulsionadora do universo;
concepção de governo como fruto de um contrato entre governantes e governados.
O despotismo esclarecido – A partir de segunda metade do século XVIII, alguns soberanos empreenderam uma política aplicada pelos próprios reis, de acordo com as circunstância de cada país, denominamos de despotismo esclarecido. Adequaram alguns princípios iluministas, racionalizando a administração, impondo a igualdade de impostos, incentivando a educação. Os principais déspotas esclarecidos foram: José II da Áustria, Catarina II da Rússia, o Marquês de Pombal de Portugal, Frederico II da Prússia e Carlos III da Espanha.
Os séculos XVII e XVIII viveram o ápice do estado absoluto (moderno), a adolescência da sociedade burguesa e o confronto entre o desenvolvimento capitalista com os entraves tradicionalistas do Antigo Regime. O progresso técnico, científico e intelectual fermentou uma nova ideologia: um conjunto de idéias em sintonia com a necessidade burguesa de superar as barreiras sobreviventes da antiga ordem feudal, encarnada agora no absolutismo e nas práticas sócio-econômica do Estado Moderno.
Nesse contexto, a razão passou a ser o guia infalível do conhecimento, do saber, da verdade.
A partir de Newton, de Descartes e das ciências naturais, John Locke transferiu o primado da razão para a política e para a análise social. A crença na bondade natural do homem e sua imensa capacidade de ser feliz abalou, com a crítica com o estudo racional, os pilares do Estado absoluto. As luzes, a iluminação da capacidade humana, o porvir, a superação do mundo existente, incentivaram a oposição à velha ordem. O anseio de liberdade, de romper com o antigo regime, fez dos grandes pensadores deste período os responsáveis pelo “Século das Luzes”, o século XVIII.
Autores
Os principais representantes destas idéias, desta revolução ideológica, defendendo a queda do Antigo Regime, minando suas bases e preparando ideologicamente as condições para a Revolução Francesa de 1789, foram:
John Locke (1632-1704) – obra principal “Segundo Tratado do Governo Civil”.
Para i inglês Locke, contemporâneo da Revolução Gloriosa de 1688 na Inglaterra, os homens possuem a vida, a liberdade e a propriedade como direitos naturais principais. Para preservar esses direitos, os homens deixaram o estado de natureza (vida mais primitiva da humanidade) através de um contrato entre si, estabelecendo o governo e a sociedade civil. Assim, os governos têm por fim respeitar os direitos naturais e, caso não o façam, caberia à sociedade civil o direito de rebelião contra um governo tirânico. Em síntese, demolia-se o sustentáculo lógico do Estado absoluto, um estado intocável e acima da sociedade civil, como defendera Maquiavel, Bossuet e Hobbes.
“Ao governante não lhe caberia jamais o direito de destruir, de escravizar, ou de empobrecer propositadamente qualquer súdito; as obrigações das leis naturais não cessam, de maneira alguma, na sociedade, torna-se até mais fortes em muitos casos” (Locke)
Barão de Montesquieu (1689-175) – obra principal “O Espírito das Leis”
Montesquieu sistematizou a teoria da “divisão de poderes”, já esboçada por Locke. Defendeu que os países deveriam ser governados por três poderes: legislativo, executivo e judiciário. Classificou os governos em despóticos, monárquicos e republicanos. Condenando o primeiro e, de acordo com a população, clima e extensão do país, admitia a Monarquia ou a República. Opunha-se também ao direito de voto para aqueles que s encontravam “num estado de baixeza muito profundo”.
“Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou a mesma corporação... exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as desavenças dos particulares”; “Só se impede o abuso do poder quando pela disposição das coisas, o poder detém o poder” (Montesquieu).
Voltaire (1694-178) – obra principal “Cartas Inglesas”
François Marie Arouet, pseudônimo Voltaire, criticou principalmente a Igreja Católica e os resquícios feudais, como a servidão. Propugnou por um governo, por uma monarquia ilustrada, isto é, um rei esclarecido pelos filósofos. Apesar de ferrenho crítico da Igreja, era, ainda assim, deísta. Acreditava que Deus estava presente na Natureza, no Homem, e que para encontrá-lo, a razão serviria como guia infalível. Assim, defendia a crença num ser supremo.
Voltaire é sempre destacado por sua palavra irreverente, sarcástica e demolidora.
“Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”; “O maior dos crimes, pelo menos o mais destrutivo, e conseqüentemente o mais oposto à finalidade da Natureza, é a guerra. E, no entanto, não há um agressor que não tinja essa malfeitoria com o pretexto de justiça”; “É proibido matar e, portanto, todos os assassinos são punidos, a não ser que o façam em larga escala e ao som das trombetas”; “O povo tolo e bárbaro precisa de uma canga, de um aguilhão e feno”.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) – obra principal “O Contrato Social”
Constituiu uma exceção do conjunto iluminista, na medida em que criticava a burguesia e fundamentalmente a propriedade privada, “raiz das infelicidades humanas”. Para Rousseau, a propriedade privada foi quem introduziu a desigualdade entre os homens, em vários graus.
“O primeiro homem a quem ocorreu pensar e dizer isto é meu, e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassinos teriam sido evitados ao gênero humano se aquele, arrancando as estacas, tivesse gritado: Não, impostor!”
Contudo, fazia eco ao conjunto Iluminista, integrando-se na crítica à ordem absolutista.
“A tranqüilidade também se encontra nas masmorras, mas é isso suficiente para que seja agradável o lugar em que se vive? Renunciar à liberdade é renunciar a ser homem” (Rousseau).
O Fisiocratismo – As mesmas idéias antiabsolutistas dirigidas contra o mercantilismo, advogando uma economia livre da tutela do estado, funcionando segundo suas leis naturais, formaram o fisiocratismo (fisio = natureza). Através do seu “quadro econômico”, Quesnay, fundador dessa escola, partiu do pressuposto de que a terra é a única fonte de riqueza, daí a importância maior da agricultura dentro da economia. Afirmava ainda que a atividade econômica, como todos os fenômenos que ocorrem no universo, é dotada de leis naturais, cabendo ao estado garantir o livre curso da natureza. Era seu lema: “Laissez, faire, laissez passer...”, deixa fazer, deixa passar, ou seja, liberdade para a produção e para o comércio.
O liberalismo econômico – Foi Adam Smith (1723-1790) que sistematizou a análise econômica, demonstrando leis e fundando a economia moderna, ou seja, a Economia como ciência. Defendia o trabalho como fonte inequívoca de riqueza e não a terra como os fisiocratas. Condenava o mercantilismo, demonstrando em tal prática um entrave lesivo a toda ordem econômica. Por meio da livre concorrência, da divisão do trabalho e do livre comércio, a harmonia e a justiça social seriam alcançadas. A sua obra “... riqueza das Nações” é considerada a “Bíblia do Capitalismo”, iniciadora da economia política clássica.
A Enciclopédia – Publicada em 1751 e 1780, constituiu um resumo das idéias iluministas e fisiocratas. Foi organizada pelo matemático D’Alembert e pelo filósofo Diderot, contando com o trabalho de 130 colaboradores. Foram suas idéias principais:
valorização da razão (racionalismo) como substituto da fé;
valorização da atividade científica como meio para se alcançar um mundo melhor;
critica à igreja católica e ao clero pelo comprometimento com o estado absoluto;
o deísmo – crença em Deus como força impulsionadora do universo;
concepção de governo como fruto de um contrato entre governantes e governados.
O despotismo esclarecido – A partir de segunda metade do século XVIII, alguns soberanos empreenderam uma política aplicada pelos próprios reis, de acordo com as circunstância de cada país, denominamos de despotismo esclarecido. Adequaram alguns princípios iluministas, racionalizando a administração, impondo a igualdade de impostos, incentivando a educação. Os principais déspotas esclarecidos foram: José II da Áustria, Catarina II da Rússia, o Marquês de Pombal de Portugal, Frederico II da Prússia e Carlos III da Espanha.
Trabalho de Escola : História da Inglaterra
foto: Archive Photos
Oliver Cromwell
Cromwell, Oliver (1599 - 1658)
Nascido em Huntingdon, próximo a Cambridge, no dia 25 de abril de 1599, Oliver Cromwell era descendente de uma família de pequenos proprietários de terra. Opôs-se ao rei Carlos I no Parlamento, onde esteve a partir de 1629, tornando-se um grande líder nos acontecimentos que levaram à Guerra Civil que durou de 1642 a 1648. Uma comissão especial, da qual era membro, processou e condenou o rei à morte.
Político, general e líder puritano, Cromwell reprimiu várias revoltas na Irlanda, mas soube ser compreensivo com os rebeldes escoceses, a quem também derrotou em 1649. As diferenças entre o Parlamento e o exército levaram Cromwell a fechar o Parlamento, passando a administrador da Inglaterra, Escócia e Irlanda entre 1653 e 1658, dentro de um sistema ditatorial. Sua política interna caracterizou-se pela tolerância religiosa e pelas inúmeras reformas administrativas. Com o respaldo da marinha e do exército, Cromwell usou sua política externa como suporte para a colonização e para o comércio inglês.
Em 1654, o Parlamento foi dissolvido e, após um período de ditadura militar, foi oferecida a Cromwell a coroa. Depois de sua morte, no dia 3 de setembro de 1658, em Londres, seu filho Ricardo governou a Inglaterra até 1659, quando abdicou do trono.
ALGUNS FATOS DA INGLATERRA
1534
- Henrique VIII, rei da Inglaterra, rompe com Roma e funda a Igreja Anglicana.
- O Parlamento inglês aprova um novo Ato de Supremacia, reforçando o poder de Henrique VIII.
1535
- Henrique VIII adquire o título de chefe supremo da igreja e o clero inglês repudia a autoridade do papa.
1555
- Henrique VIII adquire o título de chefe supremo da igreja e o clero inglês repudia a autoridade do papa.
1625
- No dia 27 de março, Carlos I é coroado rei da Inglaterra e da Escócia (até 1649), depois da morte de Jaime I (Jaime VI da Escócia).
1640
- Revolução Puritana na Inglaterra.
1649
- O Parlamento inglês acaba com a Câmara dos Lordes e com a monarquia. É instaurado um regime de soberania parlamentar.
- Execução de Carlos I da Inglaterra.
1650
- Em setembro, Oliver Cromwell vence os escoceses em Dunbar.
1685
- Com a morte de Carlos II, rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda, assume o trono Jaime II (rei até 1688).
1688
- Revolução Gloriosa na Inglaterra.
A REVOLUÇÃO GLORIOSA
Em meados do século XVI iniciou-se o processo de colonização. A expansão colonial e comercial Inglesa levou a um grande enriquecimento da burguesia enriquecimento burguês proporcionou o desenvolvimento do sistema capitalista em algumas cidades inglesas. No entretanto, os campos ingleses ainda viviam sob o regime de servidão.
Essa contradição provocou alguns conflitos. De um lado estavam os senhores feudais, perdendo seus servos, que fugiam para as cidades, mas que tinham o apoio do Rei. De outro lado, a burguesia mercantil desejava a descentralização do poder e o aumento do poder do Parlamento Inglês, que era dividido em Câmara dos Lordes, composta pelos nobres e o clero e que tomava as principais decisões, e a Câmara dos Comuns, formada principalmente por burgueses.
Os problemas começaram com a proclamação da Petição de Direitos, em 1628, que restringia o poder do Rei. Carlos I, Rei da Inglaterra, reagiu a Petição de Direitos e dissolveu o Parlamento, mas foi obrigado a reconvocá-lo em 1640, para obter recursos financeiro para combater uma Revolta na Escócia. O Parlamento, por sua vez, aprovou uma lei que proibia o Rei de dissolvê-lo. Carlos I reagiu novamente e ordenou a invasão do Parlamento, desencadeando uma terrível guerra civil, que durou de 1642 a 1649.
Com a morte de Cromwell, seu filho Ricardo assumiu o poder. As agitações políticas aumentaram e Ricardo abandonou o poder em 1659. Em 1960, foi eleito um novo Parlamento, que entregou o governo a Carlos II (1660 – 1685), substituído por seu irmão Jaime II em 1685.
Jaime II tomou uma série de medidas que desagradaram o Parlamento; este por sua vez, fez acordos com o genro de Jaime II, Guilherme de Orange, que acabou recebendo o trono em troca da promessa de respeitar o Parlamento.
O novo governo substituiu a monarquia absoluta pela Constitucional, na qual o Rei se comprometer a respeitar a declaração dos Direito. (Bill of Rights)
Guilerme de Orange invadiu Londres e assumiu o poder em 1689 e, segundo alguns historiadores, durante a invasão nenhuma gota de sangue foi derramada. Por este motivo, esse período ficou conhecido como Revolução Gloriosa.
Oliver Cromwell
Cromwell, Oliver (1599 - 1658)
Nascido em Huntingdon, próximo a Cambridge, no dia 25 de abril de 1599, Oliver Cromwell era descendente de uma família de pequenos proprietários de terra. Opôs-se ao rei Carlos I no Parlamento, onde esteve a partir de 1629, tornando-se um grande líder nos acontecimentos que levaram à Guerra Civil que durou de 1642 a 1648. Uma comissão especial, da qual era membro, processou e condenou o rei à morte.
Político, general e líder puritano, Cromwell reprimiu várias revoltas na Irlanda, mas soube ser compreensivo com os rebeldes escoceses, a quem também derrotou em 1649. As diferenças entre o Parlamento e o exército levaram Cromwell a fechar o Parlamento, passando a administrador da Inglaterra, Escócia e Irlanda entre 1653 e 1658, dentro de um sistema ditatorial. Sua política interna caracterizou-se pela tolerância religiosa e pelas inúmeras reformas administrativas. Com o respaldo da marinha e do exército, Cromwell usou sua política externa como suporte para a colonização e para o comércio inglês.
Em 1654, o Parlamento foi dissolvido e, após um período de ditadura militar, foi oferecida a Cromwell a coroa. Depois de sua morte, no dia 3 de setembro de 1658, em Londres, seu filho Ricardo governou a Inglaterra até 1659, quando abdicou do trono.
ALGUNS FATOS DA INGLATERRA
1534
- Henrique VIII, rei da Inglaterra, rompe com Roma e funda a Igreja Anglicana.
- O Parlamento inglês aprova um novo Ato de Supremacia, reforçando o poder de Henrique VIII.
1535
- Henrique VIII adquire o título de chefe supremo da igreja e o clero inglês repudia a autoridade do papa.
1555
- Henrique VIII adquire o título de chefe supremo da igreja e o clero inglês repudia a autoridade do papa.
1625
- No dia 27 de março, Carlos I é coroado rei da Inglaterra e da Escócia (até 1649), depois da morte de Jaime I (Jaime VI da Escócia).
1640
- Revolução Puritana na Inglaterra.
1649
- O Parlamento inglês acaba com a Câmara dos Lordes e com a monarquia. É instaurado um regime de soberania parlamentar.
- Execução de Carlos I da Inglaterra.
1650
- Em setembro, Oliver Cromwell vence os escoceses em Dunbar.
1685
- Com a morte de Carlos II, rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda, assume o trono Jaime II (rei até 1688).
1688
- Revolução Gloriosa na Inglaterra.
A REVOLUÇÃO GLORIOSA
Em meados do século XVI iniciou-se o processo de colonização. A expansão colonial e comercial Inglesa levou a um grande enriquecimento da burguesia enriquecimento burguês proporcionou o desenvolvimento do sistema capitalista em algumas cidades inglesas. No entretanto, os campos ingleses ainda viviam sob o regime de servidão.
Essa contradição provocou alguns conflitos. De um lado estavam os senhores feudais, perdendo seus servos, que fugiam para as cidades, mas que tinham o apoio do Rei. De outro lado, a burguesia mercantil desejava a descentralização do poder e o aumento do poder do Parlamento Inglês, que era dividido em Câmara dos Lordes, composta pelos nobres e o clero e que tomava as principais decisões, e a Câmara dos Comuns, formada principalmente por burgueses.
Os problemas começaram com a proclamação da Petição de Direitos, em 1628, que restringia o poder do Rei. Carlos I, Rei da Inglaterra, reagiu a Petição de Direitos e dissolveu o Parlamento, mas foi obrigado a reconvocá-lo em 1640, para obter recursos financeiro para combater uma Revolta na Escócia. O Parlamento, por sua vez, aprovou uma lei que proibia o Rei de dissolvê-lo. Carlos I reagiu novamente e ordenou a invasão do Parlamento, desencadeando uma terrível guerra civil, que durou de 1642 a 1649.
Com a morte de Cromwell, seu filho Ricardo assumiu o poder. As agitações políticas aumentaram e Ricardo abandonou o poder em 1659. Em 1960, foi eleito um novo Parlamento, que entregou o governo a Carlos II (1660 – 1685), substituído por seu irmão Jaime II em 1685.
Jaime II tomou uma série de medidas que desagradaram o Parlamento; este por sua vez, fez acordos com o genro de Jaime II, Guilherme de Orange, que acabou recebendo o trono em troca da promessa de respeitar o Parlamento.
O novo governo substituiu a monarquia absoluta pela Constitucional, na qual o Rei se comprometer a respeitar a declaração dos Direito. (Bill of Rights)
Guilerme de Orange invadiu Londres e assumiu o poder em 1689 e, segundo alguns historiadores, durante a invasão nenhuma gota de sangue foi derramada. Por este motivo, esse período ficou conhecido como Revolução Gloriosa.
Trabalho de Escola Guerra do Vietnã
INTRODUÇÃO
A Guerra do Vietnã tem uma importância política sociocultural gigantesca! Porém, não é dado o seu verdadeiro valor... Não podemos ver essa Guerra como um acontecimento isolado entre EUA e Vietnã, pois seu cunho ultrapassa os limites regionais e qualquer tipo de barreira étnica.
Esse conflito nos demonstra claramente a incrível capacidade do ser humano de sentir e expressar seus sentimentos, bem como a constante luta pela liberdade, seja ela política, cultural, religiosa, ou de outro caráter aplicável.
Há uma idéia errônea sobre os verdadeiros "vilões" da Guerra do Vietnã. Atribui-se aos Norte-Vietnamitas o rótulo de "bandidos", porcos sem vergonha, comunistas comedores de criancinha, batem em velhinhas, passam a mão em mocinhas, estupradores, maníacos-pervertidos e outras baixarias mais... contudo essa visão está completamente errada!
Os Norte-Vietnamitas, bem como todos os vietnamitas envolvidos, são vítimas da política de bipolarização global, pela qual o mundo passou após o desfecho da Segunda Guerra Mundial.
Os verdadeiros assassinos são os norte-americanos. Possuidores de regalias e riquezas. Invadiram um país absolutamente miserável e o tornaram mais pobre ainda... Não obstante acabar com milhares de vidas humanas (dois milhões de vietnamitas foram mortos, sem contar os três milhões de feridos e inválidos, as centenas de milhares de órfãos e os doze milhões de indochineses refugiados pelo mundo) o meio ambiente riquíssimo em vida exuberante foi severamente atacado e aniquilado. As baixas vietnamitas perduram até os tempos atuais, sem nenhuma expectativa de mudança significativa.
A verdade é que adolescentes norte-americanos foram enviados para uma missão de matança. Todavia eles estavam assassinando camponeses, mulheres, crianças, trabalhadores e outros jovens como eles, pessoas as quais possuíam uma vida bastante árdua, transformada em pesadelo e morte.
Não é aceitável que "Huey Hogs" (helicópteros do tipo 1 H-C, topo de linha nos anos 60. Poder de transporte de tropas, procura e destruição incrivelmente desenvolvido e eficaz) armados de metralhadoras M-60 (mais de 250 tiros por minuto, capaz de penetrar blindagens e explodir um homem em muitos pedaços), metralhadoras Chain Gun (ainda mais potentes que as M-60. Tecnologia rotatória de disparos), foguetes, granadas, hydras (tipo letal de foguetes) e muita, muita munição sejam incumbidos de exterminar agricultores, vilas inteiras, pessoas sem a mínima noção de treinamento militar e manuseio de armas (armas muito inferiores).
Contudo, o ser humano é espetacular. Mesmo havendo diferenças enormes em prol dos norte-americanos, os vietnamitas conseguiram vencer a batalha pela liberdade e nos deixam a lição de que devemos sempre lutar pelo que acreditamos, mesmo que tudo pareça estar perdido, sempre haverá a magnitude humana, perseverando sobre as pedras do caminho.
HISTÓRIA DA GUERRA
(1945-1954) Foi a seqüência do conflito (1946-1954) entre a França, a qual dominava a Indochina após a Segunda Guerra Mundial, e a Liga para a Independência do Vietnã, comandada pelo líder revolucionário Ho Chi Minh.
Tendo emergido como o grupo nacionalista mais forte que lutou na ocupação japonesa da Indochina francesa durante a Segunda Guerra Mundial, a liga estava determinada a resistir ao domínio colonialista francês e implantar mudanças sociais e políticas.
Seguindo a rendição japonesa para os Aliados em Agosto de 1945, as guerrilhas Vietminh tomaram a capital Hanói e forçaram a abdicação do Imperador Bao Daí.
A 2 de setembro eles declararam a independência do Vietnã e anunciaram a criação da República Democrática do Vietnã, chamado de Vietnã do Norte, tendo Ho Chi Minh como presidente.
A França reconheceu oficialmente o novo Estado, porém a seqüência de desentendimentos políticos e econômicos levaram a um conflito armado entre o Vietnã do Norte e a França no começo de dezembro me 1946.
Com o apoio francês, Bao Daí organizou o Estado do Vietnã, chamado de Vietnã do Sul, no dia primeiro de julho de 1949, estabelecendo sua capital na cidade de Saigon (a atual cidade de Ho Chi Minh). Durante os próximos anos, os EUA reconheceram oficialmente o governo de Saigon, bem como ajudaram-no.
O presidente Harry S. Truman mandou um grupo de assistência militar para treinar os Sul-Vietnamitas no manuseio das armas americanas. Enquanto isso, França e o Vietminh estavam construindo suas forças.
A batalha decisiva aconteceu na primavera de 1954, o Vietminh atacou o forte francês de Dien Bien Phu no norte do Vietnã. Graças a uma estratégia militar brilhante liderada por Ho Chi Minh, dia 8 de maio de 1954 após 55 dias de cerco os franceses se renderam.
No mesmo dia, delegações do Vietnã do Sul e do Norte encontraram-se com delegações da França, Inglaterra, União Soviética, EUA, China Comunista e os outros dois Estados indochineses: Laos e Cambodia na cidade de Gênova para discutir o futuro da Indochina.
Foi feito um acordo o qual dividia o Vietnã temporariamente em dois Estados. Acima do paralelo 17, o norte, seria governado pelos comunistas e ao sul do paralelo seria comandado pelos capitalistas. O acordo estipulava eleições para a reunificação do país, as quais se dariam em 1956.
Em 24 de outubro de 1954, o presidente americano Dwight D. Eisenhower ofereceu apoio econômico direto ao Vietnã do Sul. Foram mandados destacamentos de treinamento militar para as tropas do Sul em fevereiro de 1955.
O suporte americano para o governo vietnamita sulino continuou mesmo após Bao Daí Ter sido deposto em 23 de outubro de 1955, sendo criada uma república no Sul, com Ngo Dinh Diem como presidente.
Um dos primeiros atos de Diem foi anunciar que o seu governo recusaria as eleições bem como o direito dos Norte-Vietnamitas de expressarem seus direitos, alegando que haveria fraude por parte dos nortistas (embora Diem e outros oficiais sulinos foram acusados de práticas eleitorais fraudulentas).
A recusa pelas eleições preestabelecidas se dá pelo fato de que o Sul não estava preparado para enfrentar o Norte. Apesar dos EUA terem ajudado financeiramente, faltou organização política sólida, manutenção do país em si, pois não adianta fornecer poucas condições hoje e elas faltarem amanhã.
Não foi possível criar uma estrutura forte com a ajuda dada pelos EUA. O Sul não necessitava de táticas ou equipamentos militares, mas sim de uma organização político-econômica auto-sustentável. Não se conserta um país fornecendo uma quantia específica de dinheiro, pois esse montante acabará e os inúmeros problemas estarão proliferando.
O Sul não aceitou o prazo das eleições porque ele não tinha a mínima chance de vitória. Os EUA não aceitaram e desde 1955, prepararam os Sul-Vietnamitas para um confronto armado. Podemos notar facilmente que os EUA manipulavam toda e qualquer decisão sulina.
Os Norte-Vietnamitas não admitiram essa palhaçada norte-americana e atacaram instalações militares americanas no Sul, usando o método de guerrilhas. Chamados de Vietcongs, os Norte-Vietnamitas estavam completamente certos, pois o Sul não cumpriu com sua parte no acordo e nem os EUA.
A única forma de acabar com a arrogância americana foi com ataques as suas bases militares. Os americanos são muitíssimos prepotentes, pensam que podem fazer o que querem com qualquer um, pensam que são os donos do mundo. Enganam-se... Os ataques foram intensificados em 1960, o ano em que o Vietnã do Norte proclamou a intenção de "liberar o Vietnã do Sul do domino imperialista americano." Os Vietcongs estavam sendo comandados por Hanói. Para monstrar que o movimento da guerrilha era independente, os Vietcongs estabeleceram sua própria política, conhecida como Frente de Liberação Nacional (FLN), com seu centro de operações em Hanói.
O presidente John F. Kennedy, em dezembro de 1961, enviou a primeira tropa americana, constituída por 400 soldados, a qual chegou em Saigon, com o objetivo de operar duas companhias de helicóptero. Contudo, a hipocrisia americana atingiu o ponto de declarar que essa tropa não era uma unidade de combate. Em sinal de protesto contra a guerra, budistas e outros grupos religiosos suicidavam-se ateando fogo em seus próprios corpos.
Em 1 de novembro de 1963, o regime de Diem foi deposto com um golpe militar. Diem e seu irmão Ngo Dinh Nhu, foram executados. As circunstâncias em volta do golpe não foram explicadas claramente na época. No verão de 1971, contudo, com a publicação de um documento secreto do Pentágono sobre a Guerra, foi revelado que o golpe seria iminente e os EUA estavam preparados para proverem um governo sucessor. Não sei até onde ele estavam preparados, pois Diem começava a discordar da intervenção americana. Talvez o golpe tenha partido dos próprios americanos...
O governo substituto foi um conselho revolucionário liderado pelo Brigadeiro General Doung Van Minh. Seguiu-se uma série de outros golpes, após o regime de Diem, Vietnã do Sul teve 10 diferentes governos em um prazo de 18 meses. Nenhum deles foi capaz de suportar efetivamente a situação militar do país. Um conselho militar sob o comando dos Generais Nguyen Van Thieu e Nguyen Cao Ky foi finalmente criado em 1965, o qual restaurou a ordem política básica. Mais tarde, em setembro de 1967, eleições foram suspensas e Thieu tornou-se presidente do Vietnã do Sul.
Diferente das guerras convencionais, a Guerra do Vietnã não teve "Front" (frente de combate) definido. Usou-se estratégias de guerrilha, como o movimento "hit and run" (atacar e correr), buscando refúgio na floresta. Durante o dia os americanos eram os senhores da situação, porém quando chegava a noite, os Vietcongs espalhavam terror com seus ataques rápidos e eficientes.
No começo de 1960, os Vietcongs infiltraram-se no Sul pela "Trilha de Ho Chi Minh", a qual abastecia as tropas nortistas espalhadas pelo país com suprimentos vindos da China e da URSS. A Guerra se iniciou com o ataque de torpedos Norte-Vietnamitas contra dois destroiers americanos no Golfo de Tonkin.
Em 7 de agosto, o senado americano autorizou um envolvimento militar maior e o presidente Lyndon B. Johnson ordenou que jatos fossem mandados para o Vietnã do Sul e fortes bombardeios no Vietnã do Norte foram iniciados.
De 1964 à 1968 o General William C. Westmoreland foi o comandante das forças americanas no Vietnã do Sul; ele foi substituído em 1968 pelo General Creigton Abrams.
Em fevereiro de 1965, aviões americanos começaram bombardeios regulares com alvos no Vietnã do Norte. Foram cancelados em maio, na esperança de iniciarem um acordo de paz, todavia o Vietnã do Norte recusou todas as negociações. Os bombardeios recomeçaram.
Em 6 de março de 1965, uma brigada de "Marines" (Fuzileiros Navais) chegou em Da Nang, sul da zona desmilitarizada (ZDM). As forças americanas atingiam o número de 27.000 soldados. Até o fim do ano, seriam 200.000.
De fevereiro de 1965 até o fim do envolvimento americano em 1973, as tropas do Vietnã do Sul lutaram principalmente contra a Guerrilha Vietcong, enquanto os EUA e as tropas aliadas enfrentaram os Norte-Vietnamitas em uma Guerra violenta feita em lugares como: o Vale de Dang, Dak To, Loc Ninh e Khe Sanh - todas vitórias dos capitalistas.
Durante a campanha de 1967-1968, o estrategista Norte-Vietnamita Vo Nguyen Giap lançou a famosa Ofensiva Tet (devido ao ano novo lunar vietnamita, em meados de fevereiro): uma séria de ataques maciços em mais de 100 alvos urbanos.
Mesmo tendo um efeito psicológico devastador, a campanha a qual Giap esperava ser decisiva, falhou, forçando o recuo de muitas posições que os Norte-Vietnamitas haviam ganhado. Foram mortos 85.000 Vietcongs.
Apesar da vitória aparente dos norte-americanos, a opinião pública dentro dos EUA era de que estavam lutando por uma Guerra a qual os americanos nunca ganhariam. Em 31 de março de 1968, o Presidente Johnson anunciou um corte nos bombardeios no Vietnã do Norte, com o objetivo de uma nova gestura pacífica.
Houve uma resposta positiva de Hanói, e em maio, tratados de paz entre o Vietnã do Norte e os EUA começaram a tomar forma em Paris. Com o passar do tempo, os tratados se expandiam para incluir o Vietnã do Sul e a FLN Vietcong. Porém, nenhum tratado resultou em paz, todavia os bombardeios ao norte do Vietnã foram completamente suspensos em novembro.
Em 1969, o Presidente Richard M. Nixon, anunciou a retirada de 25.000 tropas americanas do Vietnã até agosto de 1969. Outro corte de 65.000 tropas foi ordenado no final do ano. O programa chamado de "vietnamização da guerra", foi efetivo. Com isso, o Presidente Nixon enfatizava uma responsabilidade maior dos Sul-Vietnamitas.
Contudo nem a redução de tropas americanas ou a morte do brilhante Presidente Ho Chi Minh, em 3 de setembro de 1969, foi capaz de por um ponto final na guerra. Os Vietcongs queriam a completa retirada das tropas americanas do sul, como condição de paz.
Em abril de 1970, tropas de combate americanas entraram no Cambodia, ficando lá somente 3 meses, porém os ataques aéreos no Vietnã do Norte, recomeçaram com força dobrada.
Em 1971, as forças Sul-Vietnamitas tinham um importante papel na Guerra, pois lutavam em vários "Fronts": Cambodia, Laos e no Vietnã do Sul.
Com o passar dos meses de 1971, a retirada dos americanos continuou. Ela coincidiu com uma nova estruturação do exército Norte-Vietnamita, pois estavam planejando uma intensificação nos movimentos da Trilha de Ho Chi Minh no Laos e no Cambodia.
Ataques aéreos americanos no setor da Indochina foram maciçamente reforçados. Na terra, as forças vietnamitas comunistas lançaram ataques efetivos contra as forças do governo no Vietnã do Sul, no Cambodia e no Laos.
Em 1971, as baixas americanas diminuíram significativamente para 1.380 soldados, comparado com os 4.221 mortos em 1970. Por outro lado, as tropas de Saigon sofreram 21.500 baixas: muitos no Cambodia e no Laos, contudo a grande maioria sucumbiu no Vietnã do Sul. Os sulinos tiveram 97.000 mortos em 1971.
Movimentos de paz cresciam dentro dos EUA. Houve muita controvérsia sobre o envolvimento americano na Guerra, levantando manifestações e paciatas em prol da paz.
Esses movimentos foram acelerados com a publicação de algumas atrocidades cometidas pelos americanos na Guerra. A qual teve maior repercussão foi a do Massacre de My Lai, em 1968. A companhia C, Primeiro Batalhão, Vigésima Infantaria, Décima Primeira Brigada, divisão americana, fuzilou 347 civis desarmados, os quais figuram na grande maioria crianças, mulheres e idosos, na vila de My Lai.
Cinco soldados foram a corte marcial. O tenente William L. Calley foi responsabilizado pelo ocorrido, sendo julgado culpado por um júri militar em setembro de 1971.
O extermínio de My Lai só foi divulgado 20 meses após sua ocorrência. Muitas outras atrocidades foram cometidas, pouquíssimas publicadas...
Em 30 de março de 1972, os Vietcongs lançaram um ataque fulminante na ZDM da província de Quang Tri.
Em 8 de maio de 1972, o Presidente Nixon ordenou que minassem os portos do Vietnã do Norte, principalmente o porto de Haiphong, com a finalidade de destruir a rota dos suprimentos, enviados pelos aliados comunistas.
O sistema de transporte nortista também foi atacado, especialmente os trilhos de trem, causando sérios problemas econômicos. A cidade de Quang Tri foi ocupada pelos capitalistas dia 15 de setembro, após 4 meses de ocupação comunista.
Nixon ordenou ataques mais violentos e o uso dos bombardeiros B-52 foi intensificado, sendo realizados ataques 24 horas por dia.
Na noite de 23 de janeiro de 1973, o Presidente Nixon anunciou em cadeia nacional a viabilidade de todos os termos formais para um cessar fogo.
Em 27 de janeiro, em Paris, delegações representando o Vietnã do Sul e do Norte, os EUA e o e o Governo Comunista Provisório do Vietnã do Sul assinaram um acordo acabando com a Guerra e restaurando a paz no Vietnã.
O cessar fogo oficialmente teve efeito dia 28 de janeiro.
No final de maio de 1973, todas as tropas americanas foram retiradas. Embora o Presidente Nixon tenha aparentemente assegurado ao governo de Thieu que forças americanas manteriam apoio em um eventual rompimento do acordo de paz. Futuras assistências ao Sul ficaram politicamente impossíveis. Uma das razões para isso foi o escândalo de "Watergate" .
Dia 30 de abril de 1975, a capital Saigon foi capturada e a República do Vietnã rendeu-se incondicionalmente para o Governo Provisório Revolucionário.
O uso intensivo de Napalm (bomba incendiária) matou milhares de civis. O emprego de desfoliantes, como o agente laranja, além de acabar com a vida humana, destruiu o meio ambiente de um país essencialmente agrícola. Vietnã foi vastamente destruído.
KIM PHUC
A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência:
"Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã. Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa. Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base. Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado. Nós estávamos muito assustados. Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado. Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo. Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando. De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço. Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras. Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça. Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados. Só sei que eu comecei a correr, correr e correr. Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá. Minha tia e dois de meus primos morreram. Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês. Então, eu atravessei o fogo."
Queimaduras...
"O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.
Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.
Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon. Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital. Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses. Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau. Metade do meu corpo ficou queimado.
Aquele foi um momento decisivo na minha vida. A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim. "Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.
Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto, mesmo hoje, porque mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem."
RESULTADOS DA GUERRA
(CONCLUSÃO)
Resultados da Guerra: 2 milhões de vietnamitas foram mortos, 3 milhões de feridos e inválidos, e centenas de milhares de crianças órfãos. Além dos 12 milhões de refugiados.
Baixas americanas: 57.685 KIAs (mortos), 153.303 feridos e inválidos, 587 POWs (prisioneiros de guerra) e 2.500 MIAs - soldados perdidos em ação.
A Guerra do Vietnã foi a primeira guerra televisionada em toda sua brutalidade. Os americanos sentiam o cheiro de sangue dentro de suas casas, viam seus filhos morrerem inutilmente... Esse é um dos fatores contribuintes para a horrenda "fama" da Guerra do Vietnã. Como pudemos ver, os Vietcongs apenas defenderam seus direitos naturais de vida.
Não fechemos os olhos para uma parte tão presente da nossa história, pois a Guerra do Vietnã envolve não somente americanos e vietnamitas, mas todos os seres humanos.
A luta pela liberdade de expressão, pelo direito de vida livre, foi e sempre será uma das características mais bela e humana do homem.
Na Guerra do Vietnã, não houve vencedores, assim como em todas as Guerras. O que fica é a dor da partida prematura, angústia, destruição e morte.
Perdeu o povo Vietnamita: milhões de mortos, inválidos e feridos. Centenas de milhares de órfãos, vilas destruídas, famílias brutalmente aniquiladas. Um país muito pobre, tornou-se um país miserável.
Perdeu o povo Americano, pois milhares de famílias tiveram seus filhos ceifados em sua tenra juventude. A insana brutalidade dos campos de batalha foi presenciada pelos lares da América, dentro do coração das pessoas...
Dor, sofrimento, pavor. Vietnã, a luta pela vida, nas províncias e campos manchados com sangue inocente, ainda é uma ferida aberta para toda a humanidade.
A Guerra do Vietnã tem uma importância política sociocultural gigantesca! Porém, não é dado o seu verdadeiro valor... Não podemos ver essa Guerra como um acontecimento isolado entre EUA e Vietnã, pois seu cunho ultrapassa os limites regionais e qualquer tipo de barreira étnica.
Esse conflito nos demonstra claramente a incrível capacidade do ser humano de sentir e expressar seus sentimentos, bem como a constante luta pela liberdade, seja ela política, cultural, religiosa, ou de outro caráter aplicável.
Há uma idéia errônea sobre os verdadeiros "vilões" da Guerra do Vietnã. Atribui-se aos Norte-Vietnamitas o rótulo de "bandidos", porcos sem vergonha, comunistas comedores de criancinha, batem em velhinhas, passam a mão em mocinhas, estupradores, maníacos-pervertidos e outras baixarias mais... contudo essa visão está completamente errada!
Os Norte-Vietnamitas, bem como todos os vietnamitas envolvidos, são vítimas da política de bipolarização global, pela qual o mundo passou após o desfecho da Segunda Guerra Mundial.
Os verdadeiros assassinos são os norte-americanos. Possuidores de regalias e riquezas. Invadiram um país absolutamente miserável e o tornaram mais pobre ainda... Não obstante acabar com milhares de vidas humanas (dois milhões de vietnamitas foram mortos, sem contar os três milhões de feridos e inválidos, as centenas de milhares de órfãos e os doze milhões de indochineses refugiados pelo mundo) o meio ambiente riquíssimo em vida exuberante foi severamente atacado e aniquilado. As baixas vietnamitas perduram até os tempos atuais, sem nenhuma expectativa de mudança significativa.
A verdade é que adolescentes norte-americanos foram enviados para uma missão de matança. Todavia eles estavam assassinando camponeses, mulheres, crianças, trabalhadores e outros jovens como eles, pessoas as quais possuíam uma vida bastante árdua, transformada em pesadelo e morte.
Não é aceitável que "Huey Hogs" (helicópteros do tipo 1 H-C, topo de linha nos anos 60. Poder de transporte de tropas, procura e destruição incrivelmente desenvolvido e eficaz) armados de metralhadoras M-60 (mais de 250 tiros por minuto, capaz de penetrar blindagens e explodir um homem em muitos pedaços), metralhadoras Chain Gun (ainda mais potentes que as M-60. Tecnologia rotatória de disparos), foguetes, granadas, hydras (tipo letal de foguetes) e muita, muita munição sejam incumbidos de exterminar agricultores, vilas inteiras, pessoas sem a mínima noção de treinamento militar e manuseio de armas (armas muito inferiores).
Contudo, o ser humano é espetacular. Mesmo havendo diferenças enormes em prol dos norte-americanos, os vietnamitas conseguiram vencer a batalha pela liberdade e nos deixam a lição de que devemos sempre lutar pelo que acreditamos, mesmo que tudo pareça estar perdido, sempre haverá a magnitude humana, perseverando sobre as pedras do caminho.
HISTÓRIA DA GUERRA
(1945-1954) Foi a seqüência do conflito (1946-1954) entre a França, a qual dominava a Indochina após a Segunda Guerra Mundial, e a Liga para a Independência do Vietnã, comandada pelo líder revolucionário Ho Chi Minh.
Tendo emergido como o grupo nacionalista mais forte que lutou na ocupação japonesa da Indochina francesa durante a Segunda Guerra Mundial, a liga estava determinada a resistir ao domínio colonialista francês e implantar mudanças sociais e políticas.
Seguindo a rendição japonesa para os Aliados em Agosto de 1945, as guerrilhas Vietminh tomaram a capital Hanói e forçaram a abdicação do Imperador Bao Daí.
A 2 de setembro eles declararam a independência do Vietnã e anunciaram a criação da República Democrática do Vietnã, chamado de Vietnã do Norte, tendo Ho Chi Minh como presidente.
A França reconheceu oficialmente o novo Estado, porém a seqüência de desentendimentos políticos e econômicos levaram a um conflito armado entre o Vietnã do Norte e a França no começo de dezembro me 1946.
Com o apoio francês, Bao Daí organizou o Estado do Vietnã, chamado de Vietnã do Sul, no dia primeiro de julho de 1949, estabelecendo sua capital na cidade de Saigon (a atual cidade de Ho Chi Minh). Durante os próximos anos, os EUA reconheceram oficialmente o governo de Saigon, bem como ajudaram-no.
O presidente Harry S. Truman mandou um grupo de assistência militar para treinar os Sul-Vietnamitas no manuseio das armas americanas. Enquanto isso, França e o Vietminh estavam construindo suas forças.
A batalha decisiva aconteceu na primavera de 1954, o Vietminh atacou o forte francês de Dien Bien Phu no norte do Vietnã. Graças a uma estratégia militar brilhante liderada por Ho Chi Minh, dia 8 de maio de 1954 após 55 dias de cerco os franceses se renderam.
No mesmo dia, delegações do Vietnã do Sul e do Norte encontraram-se com delegações da França, Inglaterra, União Soviética, EUA, China Comunista e os outros dois Estados indochineses: Laos e Cambodia na cidade de Gênova para discutir o futuro da Indochina.
Foi feito um acordo o qual dividia o Vietnã temporariamente em dois Estados. Acima do paralelo 17, o norte, seria governado pelos comunistas e ao sul do paralelo seria comandado pelos capitalistas. O acordo estipulava eleições para a reunificação do país, as quais se dariam em 1956.
Em 24 de outubro de 1954, o presidente americano Dwight D. Eisenhower ofereceu apoio econômico direto ao Vietnã do Sul. Foram mandados destacamentos de treinamento militar para as tropas do Sul em fevereiro de 1955.
O suporte americano para o governo vietnamita sulino continuou mesmo após Bao Daí Ter sido deposto em 23 de outubro de 1955, sendo criada uma república no Sul, com Ngo Dinh Diem como presidente.
Um dos primeiros atos de Diem foi anunciar que o seu governo recusaria as eleições bem como o direito dos Norte-Vietnamitas de expressarem seus direitos, alegando que haveria fraude por parte dos nortistas (embora Diem e outros oficiais sulinos foram acusados de práticas eleitorais fraudulentas).
A recusa pelas eleições preestabelecidas se dá pelo fato de que o Sul não estava preparado para enfrentar o Norte. Apesar dos EUA terem ajudado financeiramente, faltou organização política sólida, manutenção do país em si, pois não adianta fornecer poucas condições hoje e elas faltarem amanhã.
Não foi possível criar uma estrutura forte com a ajuda dada pelos EUA. O Sul não necessitava de táticas ou equipamentos militares, mas sim de uma organização político-econômica auto-sustentável. Não se conserta um país fornecendo uma quantia específica de dinheiro, pois esse montante acabará e os inúmeros problemas estarão proliferando.
O Sul não aceitou o prazo das eleições porque ele não tinha a mínima chance de vitória. Os EUA não aceitaram e desde 1955, prepararam os Sul-Vietnamitas para um confronto armado. Podemos notar facilmente que os EUA manipulavam toda e qualquer decisão sulina.
Os Norte-Vietnamitas não admitiram essa palhaçada norte-americana e atacaram instalações militares americanas no Sul, usando o método de guerrilhas. Chamados de Vietcongs, os Norte-Vietnamitas estavam completamente certos, pois o Sul não cumpriu com sua parte no acordo e nem os EUA.
A única forma de acabar com a arrogância americana foi com ataques as suas bases militares. Os americanos são muitíssimos prepotentes, pensam que podem fazer o que querem com qualquer um, pensam que são os donos do mundo. Enganam-se... Os ataques foram intensificados em 1960, o ano em que o Vietnã do Norte proclamou a intenção de "liberar o Vietnã do Sul do domino imperialista americano." Os Vietcongs estavam sendo comandados por Hanói. Para monstrar que o movimento da guerrilha era independente, os Vietcongs estabeleceram sua própria política, conhecida como Frente de Liberação Nacional (FLN), com seu centro de operações em Hanói.
O presidente John F. Kennedy, em dezembro de 1961, enviou a primeira tropa americana, constituída por 400 soldados, a qual chegou em Saigon, com o objetivo de operar duas companhias de helicóptero. Contudo, a hipocrisia americana atingiu o ponto de declarar que essa tropa não era uma unidade de combate. Em sinal de protesto contra a guerra, budistas e outros grupos religiosos suicidavam-se ateando fogo em seus próprios corpos.
Em 1 de novembro de 1963, o regime de Diem foi deposto com um golpe militar. Diem e seu irmão Ngo Dinh Nhu, foram executados. As circunstâncias em volta do golpe não foram explicadas claramente na época. No verão de 1971, contudo, com a publicação de um documento secreto do Pentágono sobre a Guerra, foi revelado que o golpe seria iminente e os EUA estavam preparados para proverem um governo sucessor. Não sei até onde ele estavam preparados, pois Diem começava a discordar da intervenção americana. Talvez o golpe tenha partido dos próprios americanos...
O governo substituto foi um conselho revolucionário liderado pelo Brigadeiro General Doung Van Minh. Seguiu-se uma série de outros golpes, após o regime de Diem, Vietnã do Sul teve 10 diferentes governos em um prazo de 18 meses. Nenhum deles foi capaz de suportar efetivamente a situação militar do país. Um conselho militar sob o comando dos Generais Nguyen Van Thieu e Nguyen Cao Ky foi finalmente criado em 1965, o qual restaurou a ordem política básica. Mais tarde, em setembro de 1967, eleições foram suspensas e Thieu tornou-se presidente do Vietnã do Sul.
Diferente das guerras convencionais, a Guerra do Vietnã não teve "Front" (frente de combate) definido. Usou-se estratégias de guerrilha, como o movimento "hit and run" (atacar e correr), buscando refúgio na floresta. Durante o dia os americanos eram os senhores da situação, porém quando chegava a noite, os Vietcongs espalhavam terror com seus ataques rápidos e eficientes.
No começo de 1960, os Vietcongs infiltraram-se no Sul pela "Trilha de Ho Chi Minh", a qual abastecia as tropas nortistas espalhadas pelo país com suprimentos vindos da China e da URSS. A Guerra se iniciou com o ataque de torpedos Norte-Vietnamitas contra dois destroiers americanos no Golfo de Tonkin.
Em 7 de agosto, o senado americano autorizou um envolvimento militar maior e o presidente Lyndon B. Johnson ordenou que jatos fossem mandados para o Vietnã do Sul e fortes bombardeios no Vietnã do Norte foram iniciados.
De 1964 à 1968 o General William C. Westmoreland foi o comandante das forças americanas no Vietnã do Sul; ele foi substituído em 1968 pelo General Creigton Abrams.
Em fevereiro de 1965, aviões americanos começaram bombardeios regulares com alvos no Vietnã do Norte. Foram cancelados em maio, na esperança de iniciarem um acordo de paz, todavia o Vietnã do Norte recusou todas as negociações. Os bombardeios recomeçaram.
Em 6 de março de 1965, uma brigada de "Marines" (Fuzileiros Navais) chegou em Da Nang, sul da zona desmilitarizada (ZDM). As forças americanas atingiam o número de 27.000 soldados. Até o fim do ano, seriam 200.000.
De fevereiro de 1965 até o fim do envolvimento americano em 1973, as tropas do Vietnã do Sul lutaram principalmente contra a Guerrilha Vietcong, enquanto os EUA e as tropas aliadas enfrentaram os Norte-Vietnamitas em uma Guerra violenta feita em lugares como: o Vale de Dang, Dak To, Loc Ninh e Khe Sanh - todas vitórias dos capitalistas.
Durante a campanha de 1967-1968, o estrategista Norte-Vietnamita Vo Nguyen Giap lançou a famosa Ofensiva Tet (devido ao ano novo lunar vietnamita, em meados de fevereiro): uma séria de ataques maciços em mais de 100 alvos urbanos.
Mesmo tendo um efeito psicológico devastador, a campanha a qual Giap esperava ser decisiva, falhou, forçando o recuo de muitas posições que os Norte-Vietnamitas haviam ganhado. Foram mortos 85.000 Vietcongs.
Apesar da vitória aparente dos norte-americanos, a opinião pública dentro dos EUA era de que estavam lutando por uma Guerra a qual os americanos nunca ganhariam. Em 31 de março de 1968, o Presidente Johnson anunciou um corte nos bombardeios no Vietnã do Norte, com o objetivo de uma nova gestura pacífica.
Houve uma resposta positiva de Hanói, e em maio, tratados de paz entre o Vietnã do Norte e os EUA começaram a tomar forma em Paris. Com o passar do tempo, os tratados se expandiam para incluir o Vietnã do Sul e a FLN Vietcong. Porém, nenhum tratado resultou em paz, todavia os bombardeios ao norte do Vietnã foram completamente suspensos em novembro.
Em 1969, o Presidente Richard M. Nixon, anunciou a retirada de 25.000 tropas americanas do Vietnã até agosto de 1969. Outro corte de 65.000 tropas foi ordenado no final do ano. O programa chamado de "vietnamização da guerra", foi efetivo. Com isso, o Presidente Nixon enfatizava uma responsabilidade maior dos Sul-Vietnamitas.
Contudo nem a redução de tropas americanas ou a morte do brilhante Presidente Ho Chi Minh, em 3 de setembro de 1969, foi capaz de por um ponto final na guerra. Os Vietcongs queriam a completa retirada das tropas americanas do sul, como condição de paz.
Em abril de 1970, tropas de combate americanas entraram no Cambodia, ficando lá somente 3 meses, porém os ataques aéreos no Vietnã do Norte, recomeçaram com força dobrada.
Em 1971, as forças Sul-Vietnamitas tinham um importante papel na Guerra, pois lutavam em vários "Fronts": Cambodia, Laos e no Vietnã do Sul.
Com o passar dos meses de 1971, a retirada dos americanos continuou. Ela coincidiu com uma nova estruturação do exército Norte-Vietnamita, pois estavam planejando uma intensificação nos movimentos da Trilha de Ho Chi Minh no Laos e no Cambodia.
Ataques aéreos americanos no setor da Indochina foram maciçamente reforçados. Na terra, as forças vietnamitas comunistas lançaram ataques efetivos contra as forças do governo no Vietnã do Sul, no Cambodia e no Laos.
Em 1971, as baixas americanas diminuíram significativamente para 1.380 soldados, comparado com os 4.221 mortos em 1970. Por outro lado, as tropas de Saigon sofreram 21.500 baixas: muitos no Cambodia e no Laos, contudo a grande maioria sucumbiu no Vietnã do Sul. Os sulinos tiveram 97.000 mortos em 1971.
Movimentos de paz cresciam dentro dos EUA. Houve muita controvérsia sobre o envolvimento americano na Guerra, levantando manifestações e paciatas em prol da paz.
Esses movimentos foram acelerados com a publicação de algumas atrocidades cometidas pelos americanos na Guerra. A qual teve maior repercussão foi a do Massacre de My Lai, em 1968. A companhia C, Primeiro Batalhão, Vigésima Infantaria, Décima Primeira Brigada, divisão americana, fuzilou 347 civis desarmados, os quais figuram na grande maioria crianças, mulheres e idosos, na vila de My Lai.
Cinco soldados foram a corte marcial. O tenente William L. Calley foi responsabilizado pelo ocorrido, sendo julgado culpado por um júri militar em setembro de 1971.
O extermínio de My Lai só foi divulgado 20 meses após sua ocorrência. Muitas outras atrocidades foram cometidas, pouquíssimas publicadas...
Em 30 de março de 1972, os Vietcongs lançaram um ataque fulminante na ZDM da província de Quang Tri.
Em 8 de maio de 1972, o Presidente Nixon ordenou que minassem os portos do Vietnã do Norte, principalmente o porto de Haiphong, com a finalidade de destruir a rota dos suprimentos, enviados pelos aliados comunistas.
O sistema de transporte nortista também foi atacado, especialmente os trilhos de trem, causando sérios problemas econômicos. A cidade de Quang Tri foi ocupada pelos capitalistas dia 15 de setembro, após 4 meses de ocupação comunista.
Nixon ordenou ataques mais violentos e o uso dos bombardeiros B-52 foi intensificado, sendo realizados ataques 24 horas por dia.
Na noite de 23 de janeiro de 1973, o Presidente Nixon anunciou em cadeia nacional a viabilidade de todos os termos formais para um cessar fogo.
Em 27 de janeiro, em Paris, delegações representando o Vietnã do Sul e do Norte, os EUA e o e o Governo Comunista Provisório do Vietnã do Sul assinaram um acordo acabando com a Guerra e restaurando a paz no Vietnã.
O cessar fogo oficialmente teve efeito dia 28 de janeiro.
No final de maio de 1973, todas as tropas americanas foram retiradas. Embora o Presidente Nixon tenha aparentemente assegurado ao governo de Thieu que forças americanas manteriam apoio em um eventual rompimento do acordo de paz. Futuras assistências ao Sul ficaram politicamente impossíveis. Uma das razões para isso foi o escândalo de "Watergate" .
Dia 30 de abril de 1975, a capital Saigon foi capturada e a República do Vietnã rendeu-se incondicionalmente para o Governo Provisório Revolucionário.
O uso intensivo de Napalm (bomba incendiária) matou milhares de civis. O emprego de desfoliantes, como o agente laranja, além de acabar com a vida humana, destruiu o meio ambiente de um país essencialmente agrícola. Vietnã foi vastamente destruído.
KIM PHUC
A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência:
"Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã. Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa. Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base. Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado. Nós estávamos muito assustados. Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado. Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo. Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando. De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço. Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras. Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça. Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados. Só sei que eu comecei a correr, correr e correr. Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá. Minha tia e dois de meus primos morreram. Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês. Então, eu atravessei o fogo."
Queimaduras...
"O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.
Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.
Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon. Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital. Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses. Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau. Metade do meu corpo ficou queimado.
Aquele foi um momento decisivo na minha vida. A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim. "Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.
Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto, mesmo hoje, porque mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem."
RESULTADOS DA GUERRA
(CONCLUSÃO)
Resultados da Guerra: 2 milhões de vietnamitas foram mortos, 3 milhões de feridos e inválidos, e centenas de milhares de crianças órfãos. Além dos 12 milhões de refugiados.
Baixas americanas: 57.685 KIAs (mortos), 153.303 feridos e inválidos, 587 POWs (prisioneiros de guerra) e 2.500 MIAs - soldados perdidos em ação.
A Guerra do Vietnã foi a primeira guerra televisionada em toda sua brutalidade. Os americanos sentiam o cheiro de sangue dentro de suas casas, viam seus filhos morrerem inutilmente... Esse é um dos fatores contribuintes para a horrenda "fama" da Guerra do Vietnã. Como pudemos ver, os Vietcongs apenas defenderam seus direitos naturais de vida.
Não fechemos os olhos para uma parte tão presente da nossa história, pois a Guerra do Vietnã envolve não somente americanos e vietnamitas, mas todos os seres humanos.
A luta pela liberdade de expressão, pelo direito de vida livre, foi e sempre será uma das características mais bela e humana do homem.
Na Guerra do Vietnã, não houve vencedores, assim como em todas as Guerras. O que fica é a dor da partida prematura, angústia, destruição e morte.
Perdeu o povo Vietnamita: milhões de mortos, inválidos e feridos. Centenas de milhares de órfãos, vilas destruídas, famílias brutalmente aniquiladas. Um país muito pobre, tornou-se um país miserável.
Perdeu o povo Americano, pois milhares de famílias tiveram seus filhos ceifados em sua tenra juventude. A insana brutalidade dos campos de batalha foi presenciada pelos lares da América, dentro do coração das pessoas...
Dor, sofrimento, pavor. Vietnã, a luta pela vida, nas províncias e campos manchados com sangue inocente, ainda é uma ferida aberta para toda a humanidade.
Trabalho de Escola : Guerra do Paraguai
Tema: Guerra do Paraguai
• Países participantes
Maior conflito armado ocorrido na América do Sul a Guerra do Paraguai ocorreu entre 1864 e 1870, de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, formando a Tríplice Aliança (Tratado assinado em 1º de maio de 1865) e de outro o Paraguai.
• Causas/motivos da guerra
A Argentina e o Brasil tinham antigas ambições territoriais na região do Rio do Prata. Pensavam aumentar seu território conquistando o Uruguai. O Brasil chegou a realizar duas intervenções no Uruguai uma em 1851 e outra em 1864.
As forças militares do Império brasileiro em 1852 com apoio do Uruguai e de duas províncias argentinas, também invadiram a Argentina .
Após esses conflitos a Argentina e o Uruguai passaram a ter governos aliados ao Brasil.
Até o século XIX o Paraguai era um país de economia desenvolvida e forte. Porém o Paraguai é um país continental, isto é , não tem saída para o mar. O governo do Paraguai Francisco Solano Lopez queria construir uma saída livre para o Oceano, via rios Paraguai, Paraná e Prata . Uma espécie de canal livre para o comércio exportador e importador dos países. O sonho do presidente do Paraguai choca-se com os interesses da Inglaterra, tradicional aliada do Brasil, Argentina e do Uruguai.
Com o desenvolvimento econômico do Paraguai, a economia inglesa corre o risco de ter diminuído o seu comércio na América do Sul, que é abastecida cada vez mais, pelos produtos do Paraguai.
A Inglaterra então apóia seus aliados o Brasil, Argentina e Uruguai para realizar uma guerra contra o Paraguai. Como isso aconteceu ?
Os habitantes que viviam na região de Mato Grosso no século XIX, dependia muito do Rio Paraguai, porque não havia estradas ligando a Província do resto do Brasil. Procurando um pretexto para a guerra, o Brasil enviou para Mato Grosso, o navio Marquês de Olinda, cheio de armas e de munições. Porém governo do Paraguai Solano considerou tal fato um ato de agressão e proibiu a navegação de navios brasileiros no Rio Paraguai. Em contra partida o Imperador D. Pedro II diante do ato de Solano considerou uma agressão ao Brasil e declarou guerra ao Paraguai.
Os conflitos na região começam pela disputa estratégica da região do Rio Prata. Solano ordena a invasão da província de Mato Grosso em dezembro de 1864, e a guerra está declarada .
• A guerra e a participação de Duque de Caxias e o Conde D`Eu
A guerra contra o Paraguai teve três fases. No primeiro ano, as forças paraguaias venceram , em ações rápidas e fulminante vencendo facilmente o Forte de Coimbra e Dourados. Na Segunda etapa entre 1865 e1868 , os três aliados Brasil, Argentina e Uruguai conseguiram equilibrar as ações. Essa fase foi de lutas violentas, com vitórias e derrotas de lado a lado.
Nesta fase os aliados venceram a Batalha de Riachuelo em 11 de junho de 1865, a Batalha de Uruguaiana em 18 de setembro de 1865, e as tropas da Fortaleza de Tuiuti em 24 de maio de 1866. Porém em 03 de setembro de 1866 os aliados foram derrotados na Batalha de Curuzu pelas tropas de Solano.
A partir de 1867 depois dos aliados deixarem o Brasil quase sozinho na guerra Duque de Caxias foi nomeado Comandante-maior-da-guerra e assumiu o comando, e vence a 03 de novembro de 1867 Batalha de Humaitá . Depois de cercar a Fortaleza de Humaitá , Caxias tomou-a em 1868, abrindo caminho para a invasão a Assunção.
No ano de 1868, Caxias venceu as tropas de Solano na Dezembrada.
A 11 de dezembro de 1868, Caxias venceu as Batalhas de Itororó e Avaí, e a 27 do mesmo mês e ano vence a Batalha de Lomas Valentinas. E sem poder resistir, Assunção caiu, a 5 de Janeiro de 1869, nas mãos de Caxias.
Após o comando de Caxias, a guerra passou a ser comandada pelo Conde D`Eu, Gastão de Orlenas, genro de D. Pedro II em 1869. Esta é a última fase da guerra , quando Solano quase vencido ainda resiste até 1870. A 12 de agosto de 1869, as tropas de Solano foram vencidas em Peribebuí, pelo Conde D`Eu e , finalmente , a 1º de março de 1870, Solano foi morto na Batalha de Cerro-Corá. Era o fim da guerra.
• Conseqüências da guerra para o Brasil e Paraguai
Para o Paraguai, as conseqüências da guerra foram seríssimas. Sua economia estava destruída e grande parte da população, principalmente a masculina, estava morta, perdeu 40.000 km² do seu território para a Argentina e para o Brasil. Desde então o Paraguai não se recuperou mais, sendo até hoje um dos países mais pobres da América Latina.
A guerra trouxe mudanças também para o Brasil. Além da morte de milhares de pessoas sua economia sofreu forte abalo, pois os gastos foram enormes, o que gerou a necessidade de se contrair novos empréstimos junto à Inglaterra.
Enfim, a guerra só beneficiou as Inglaterra, que vendeu suas armas à Tríplice Aliança. E, ao arrasar a indústria do Paraguai, podia vender novamente, sem concorrente, seus produtos industriais na América do Sul.
• Fonte:
Milton & Maria Luiza, História do Brasil do Império à República, Editora Scipione.
Dantas, José, História do Brasil da Independência aos dias atuais, volume 2, Editora Moderna.
• Países participantes
Maior conflito armado ocorrido na América do Sul a Guerra do Paraguai ocorreu entre 1864 e 1870, de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, formando a Tríplice Aliança (Tratado assinado em 1º de maio de 1865) e de outro o Paraguai.
• Causas/motivos da guerra
A Argentina e o Brasil tinham antigas ambições territoriais na região do Rio do Prata. Pensavam aumentar seu território conquistando o Uruguai. O Brasil chegou a realizar duas intervenções no Uruguai uma em 1851 e outra em 1864.
As forças militares do Império brasileiro em 1852 com apoio do Uruguai e de duas províncias argentinas, também invadiram a Argentina .
Após esses conflitos a Argentina e o Uruguai passaram a ter governos aliados ao Brasil.
Até o século XIX o Paraguai era um país de economia desenvolvida e forte. Porém o Paraguai é um país continental, isto é , não tem saída para o mar. O governo do Paraguai Francisco Solano Lopez queria construir uma saída livre para o Oceano, via rios Paraguai, Paraná e Prata . Uma espécie de canal livre para o comércio exportador e importador dos países. O sonho do presidente do Paraguai choca-se com os interesses da Inglaterra, tradicional aliada do Brasil, Argentina e do Uruguai.
Com o desenvolvimento econômico do Paraguai, a economia inglesa corre o risco de ter diminuído o seu comércio na América do Sul, que é abastecida cada vez mais, pelos produtos do Paraguai.
A Inglaterra então apóia seus aliados o Brasil, Argentina e Uruguai para realizar uma guerra contra o Paraguai. Como isso aconteceu ?
Os habitantes que viviam na região de Mato Grosso no século XIX, dependia muito do Rio Paraguai, porque não havia estradas ligando a Província do resto do Brasil. Procurando um pretexto para a guerra, o Brasil enviou para Mato Grosso, o navio Marquês de Olinda, cheio de armas e de munições. Porém governo do Paraguai Solano considerou tal fato um ato de agressão e proibiu a navegação de navios brasileiros no Rio Paraguai. Em contra partida o Imperador D. Pedro II diante do ato de Solano considerou uma agressão ao Brasil e declarou guerra ao Paraguai.
Os conflitos na região começam pela disputa estratégica da região do Rio Prata. Solano ordena a invasão da província de Mato Grosso em dezembro de 1864, e a guerra está declarada .
• A guerra e a participação de Duque de Caxias e o Conde D`Eu
A guerra contra o Paraguai teve três fases. No primeiro ano, as forças paraguaias venceram , em ações rápidas e fulminante vencendo facilmente o Forte de Coimbra e Dourados. Na Segunda etapa entre 1865 e1868 , os três aliados Brasil, Argentina e Uruguai conseguiram equilibrar as ações. Essa fase foi de lutas violentas, com vitórias e derrotas de lado a lado.
Nesta fase os aliados venceram a Batalha de Riachuelo em 11 de junho de 1865, a Batalha de Uruguaiana em 18 de setembro de 1865, e as tropas da Fortaleza de Tuiuti em 24 de maio de 1866. Porém em 03 de setembro de 1866 os aliados foram derrotados na Batalha de Curuzu pelas tropas de Solano.
A partir de 1867 depois dos aliados deixarem o Brasil quase sozinho na guerra Duque de Caxias foi nomeado Comandante-maior-da-guerra e assumiu o comando, e vence a 03 de novembro de 1867 Batalha de Humaitá . Depois de cercar a Fortaleza de Humaitá , Caxias tomou-a em 1868, abrindo caminho para a invasão a Assunção.
No ano de 1868, Caxias venceu as tropas de Solano na Dezembrada.
A 11 de dezembro de 1868, Caxias venceu as Batalhas de Itororó e Avaí, e a 27 do mesmo mês e ano vence a Batalha de Lomas Valentinas. E sem poder resistir, Assunção caiu, a 5 de Janeiro de 1869, nas mãos de Caxias.
Após o comando de Caxias, a guerra passou a ser comandada pelo Conde D`Eu, Gastão de Orlenas, genro de D. Pedro II em 1869. Esta é a última fase da guerra , quando Solano quase vencido ainda resiste até 1870. A 12 de agosto de 1869, as tropas de Solano foram vencidas em Peribebuí, pelo Conde D`Eu e , finalmente , a 1º de março de 1870, Solano foi morto na Batalha de Cerro-Corá. Era o fim da guerra.
• Conseqüências da guerra para o Brasil e Paraguai
Para o Paraguai, as conseqüências da guerra foram seríssimas. Sua economia estava destruída e grande parte da população, principalmente a masculina, estava morta, perdeu 40.000 km² do seu território para a Argentina e para o Brasil. Desde então o Paraguai não se recuperou mais, sendo até hoje um dos países mais pobres da América Latina.
A guerra trouxe mudanças também para o Brasil. Além da morte de milhares de pessoas sua economia sofreu forte abalo, pois os gastos foram enormes, o que gerou a necessidade de se contrair novos empréstimos junto à Inglaterra.
Enfim, a guerra só beneficiou as Inglaterra, que vendeu suas armas à Tríplice Aliança. E, ao arrasar a indústria do Paraguai, podia vender novamente, sem concorrente, seus produtos industriais na América do Sul.
• Fonte:
Milton & Maria Luiza, História do Brasil do Império à República, Editora Scipione.
Dantas, José, História do Brasil da Independência aos dias atuais, volume 2, Editora Moderna.
Trabalho de Escola - Fundamento do Islã
Fundamentos do Islã
Maomé e o Alcorão. A base doutrinal criada por Maomé e o Alcorão constituem o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura da religião islâmica. O Alcorão ou Corão (al-Quran), é a coletânea dos versos recitados pelo profeta, graças -- segundo a tradição muçulmana -- a revelações feitas a ele por Deus, por intermédio do anjo Gabriel. As 114 suratas (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteísmo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade.
Desde o início de suas pregações, Maomé infundiu em seus seguidores um profundo sentimento de fé e de fraternidade, intensificada em conseqüência das perseguições que o fizeram deixar Meca, mudando-se para Medina, com amigos e parentes, em 16 de julho de 622. Única data da vida do profeta em relação à qual todos os muçulmanos estão de acordo, a hégira (emigração, separação) marca o início da era islâmica. Depois da hégira, o profeta formou uma comunidade religiosa e política, a umma ou comunidade de crentes, que se perpetuou no Islã como uma religião-estado -- fusão que não foi contestada até o século XX.
Expansão territorial. Durante o governo dos quatro primeiros califas sucessores de Maomé e sob a dinastia omíada (661-750), o Islã estendeu-se em função das conquistas obtidas na guerra santa e da atuação das organizações místicas. Com a dinastia abássida, que perdurou até 1258, o império se fragmentou. Formaram-se vários estados, regidos por diferentes dinastias independentes, no norte da África, na península ibérica, Pérsia e em outros domínios. Apesar da divisão política, o Islã não perdeu sua unidade religiosa, institucional e econômica. A partir do século XII, a expansão da mística islâmica abriu novos caminhos para a religião, na Ásia central, Índia, Indonésia, Turquia e norte da África. Na Europa, o islamismo perdeu, no século XV, seus últimos reinos na Espanha e, depois da queda do império otomano, manteve somente redutos nos Balcãs e na Rússia meridional.
Fontes doutrinais. A doutrina islâmica baseia-se em três fontes ou princípios fundamentais, além do Alcorão: o suna (tradições), o ijma (consenso) e o ijtihad (pensamento individual).
Suna. O conjunto de ensinamentos e atos de Maomé, a suna, está documentado no hadith. O grupo islâmico majoritário e considerado ortodoxo, o sunita, aceita seis coleções diferentes, que foram compiladas durante o século IX da era cristã (III da hégira). Outro grupo importante, o xiita, tem seu próprio hadith.
Ao procurarem garantir a autenticidade desses ensinamentos e atos, os sábios muçulmanos se detiveram menos na pureza do conteúdo do que na cadeia dos transmissores, em sua idoneidade e na proximidade com relação ao Profeta. A investigação da autenticidade do hadith constituiu tarefa fundamental dos estudos islâmicos. A exigência dessa garantia na transmissão foi mais rigorosa com relação aos textos legais do que com os de mera exortação espiritual.
A coleção mais importante foi elaborada no século IX por Mohamed ibn Ismail al-Bukhari e é conhecida como o Livro da autêntica coleção. Essas coleções, além de seu valor religioso para os crentes, constituem uma exaustiva enciclopédia legislativa, teológica, cerimonial, moral, social e comercial, que inclui aplicações práticas e exemplos moralizantes para o cotidiano.
Ijma. No segundo século da hégira, houve necessidade de fixar, por consenso universal (ijma), as prescrições legais e as práticas que derivavam do Alcorão. Em princípio, o ijma funcionava em favor da autoridade tradicional, uma vez que se referia sempre aos acordos passados e reconhecia opiniões conservadoras. Atualmente, no entanto, dá maior relevo aos elementos liberais e democráticos inerentes a sua própria natureza.
Ijtihad. O esforço de adaptação do Alcorão a novas situações (ijtihad) foi importante no primeiro século do Islã. Nessa época, o ijtihad tomou a forma de opinião pessoal, o que deu origem a muitos conflitos. Nos séculos seguintes, a reflexão individual foi substituída por uma analogia rigorosa entre novas situações e os textos já adotados. Compilados os ensinamentos e atos de Maomé e estabelecido o consenso universal, o esforço individual de adaptação do Alcorão às novas situações foi limitado. Pensadores muçulmanos, no entanto, como Algazali, no século XI, e os reformadores dos séculos XVIII e XIX, voltaram a reivindicar a reflexão individual.
Pilares do Islã. As características básicas da organização social e religiosa que definem o islamismo para todos os fiéis ficaram conhecidas como os "cinco pilares" (arkan) do Islã. Algumas seitas, como a dos caridjitas, tentaram, sem sucesso, incluir um sexto pilar, o jihad ou guerra santa.
Profissão de fé. "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta". Essencial para ingressar na comunidade islâmica, a profissão de fé (chahada, literalmente "testemunho") deve ser pronunciada clara e conscientemente, com profundo entendimento e aceitação, ao menos uma vez na vida, embora seja repetida, na verdade, com freqüência e em todas as ocasiões importantes. O reconhecimento de Maomé como profeta iluminado por Alá implica a crença num só Deus criador, nos anjos, nos profetas (basicamente Adão, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé), na ressurreição, no juízo e na recompensa em outra vida.
Oração. O segundo pilar consiste de uma oração ritual que deve ser proferida cinco vezes ao dia, com o rosto voltado para Meca: ao amanhecer, ao meio-dia, entre as três e as cinco, antes do pôr-do-sol e à noite. Não existe outra liturgia senão a da palavra; não existe um clero propriamente dito, mas somente pregadores e encarregados de fazer a chamada para a oração (almuadens) e de dirigi-la (imãs); às sextas-feiras celebra-se a oração na mesquita, precedida de um sermão de caráter moral, social ou político.
Pagamento de dízimo. O zacat (purificação) constitui uma esmola, que deve ser paga anualmente, em moeda ou mercadorias. É coletada pelo estado e destina-se aos pobres, ao resgate dos cativos ou dívidas crônicas, à guerra santa -- e, por extensão, à educação e à saúde -- e às peregrinações.
Jejum. Durante o ramadã (nono mês do calendário muçulmano), está prescrito um rigoroso jejum. Nesse período, desde o nascer até o pôr-do-sol, é vedado comer, beber, fumar, perfumar-se e manter relações conjugais. Durante a noite, porém, tudo volta a ser lícito. Os enfermos ou viajantes podem adiar o jejum para data futura e por igual número de dias. Os que contam com recursos suficientes devem custear, também, a alimentação de um indigente.
Peregrinação a Meca. Ao menos uma vez na vida, todo muçulmano que tiver recursos deve peregrinar a Meca (haj) no último mês do ano. O peregrino tem que visitar a Mesquita Sagrada, no centro da qual se encontra a Caaba, rodear sete vezes essa construção cúbica -- três correndo e quatro vagarosamente --, tocar e beijar a pedra negra de Abraão (meteorito localizado no ângulo este da Caaba), beber água no poço de Zemzem, correr sete vezes a distância entre os montes Safa e a Marva, ir até o monte Arafat e a Mina, onde os fiéis atiram pedras contra colunas baixas (lapidação do diabo) e sacrificar um animal em memória de Abraão, considerado o primeiro profeta, construtor da Caaba e pai dos árabes.
Tendências teológicas e doutrinais
A teologia e filosofia islâmica é um esforço de esclarecimento racional e de defesa da fé. Os pensadores muçulmanos mantêm uma posição intermediária entre os tradicionalistas, que se prendem às expressões literais das primeiras fontes da doutrina islâmica, e aqueles cuja razão os levou a abandonar completamente a comunidade islâmica. No princípio, a teologia ligou-se à mera interpretação do Alcorão. Já no século seguinte a Maomé, formularam-se problemas relacionados ao dogma da unidade de Deus e à conciliação entre a onipotência divina e a liberdade humana.
Seitas. Apesar da noção de comunidade unificada e consolidada, conforme ensinado pelo Profeta, sérias divergências surgiram entre os muçulmanos imediatamente após a morte de Maomé. Este não deixou filhos, nem estabeleceu regras de sucessão. Os dois primeiros califas, Abu Bakr e Omar eram sogros de Maomé e sua eleição não foi discutida. A eleição de Uthman, da família omíada e genro do profeta, causou polêmica maior. Depois do assassinato de Uthman, em 656, Ali, primo e genro de Maomé, assumiu o califado, o que deu origem a um cisma no Islã. A principal divergência dizia respeito ao caráter do governo da comunidade: o governante deveria ser um continuador da missão profética de Maomé ou um simples governante civil? Os partidários de Ali optaram pela primeira hipótese, mas a segunda acabou por prevalecer na maior parte do mundo islâmico, ficando os xiitas (partidários de Ali) isolados no Irã e em parte do Iraque. Começou assim a guerra interna.
Com o assassinato de Ali, em 661, teve início a dinastia omíada, mas as desavenças continuaram. Diferentes posições com relação à sucessão deram origem a quatro seitas básicas: caridjitas, mutazilitas, sunitas e xiitas. As duas últimas prevaleceram e motivaram o aparecimento de diferentes tendências teológicas, que ainda hoje perduram. Essas seitas divergiam fundamentalmente quanto a questões de sucessão e quanto a certos matizes teológicos. Todas elas, no entanto, aceitavam a palavra de Maomé além dos cinco pilares do Islã.
Caridjitas. Chamados "rebeldes", os caridjitas apoiaram Ali no início, mas se voltaram contra ele, acusando-o de ter cometido grave pecado ao fugir do combate e recorrer a julgamento para defender seu direito ao califado. Preconizavam que o pecador que não se arrepende sinceramente de seus erros deixa de pertencer ao Islã, porque a profissão de fé nada significa se não corresponde à ação. Pregavam também o jihad, ou guerra santa, como um dos pilares do Islã. Essa seita fanática foi extinta no segundo século da hégira.
Mutazilitas. No sentido literal, mutazilita quer dizer "o que se separa", numa referência ao fato de que os membros da seita se mantiveram afastados de idéias radicais sobre fé e infidelidade. Os mutazilitas adotaram uma postura intermediária entre Ali e seus inimigos. Teologicamente defendiam a liberdade humana e consideravam a ação parte essencial da fé. Segundo eles, a razão pode discernir o bem do mal, motivo pelo qual a revelação constitui uma ajuda, mas não é indispensável. Para os mutazilitas, Deus é pura essência, pois atributos romperiam sua unidade. Esses humanistas perseguiram duramente seus inimigos, quando, no século II da hégira, conseguiram impor temporariamente suas crenças.
Sunitas. Seguidores da seita mais importante em contraposição aos xiitas, os sunitas se definem como ortodoxos, seguidores da tradição, a suna. Suas doutrinas remontam à época dos cismas, mas só foram explicitamente formuladas como "teologia ortodoxa", no século X. Reagiram contra as divergências doutrinais e admitiram a legitimidade dos quatro califas eleitos. Para eles, a maioria não pode errar porque está protegida por Deus. Pragmáticos e tolerantes, acreditam que nenhum grupo deve ser excluído, a não ser que renuncie ao Islã. Aceitam uma síntese entre a responsabilidade humana e a onipotência divina. As ações, de acordo com os sunitas, reforçam a fé, mas não são essenciais. Dividiram-se em quatro ritos ou escolas.
Xiitas. Defensores de Ali e do direito de sucessão da família do profeta, tese que usaram contra o poder omíada, os xiitas logo desenvolveram uma base teológica para suas concepções políticas. Sob influências gnósticas e persas, transformaram a figura do governante, o imã, num ser metafísico, manifestação de Deus. Pelo contato com o infalível imã, é possível descobrir os sentidos ocultos das revelações do Alcorão. Os xiitas reconhecem 12 encarnações do imã, que, segundo eles, voltará no fim do mundo com a verdade e a justiça. Divididos em diversos grupos, praticam flagelações e duras penitências em celebrações.
Sufistas. Nascido do ascetismo, mais exatamente como um movimento místico, o sufismo não pode ser considerado uma seita. Sua mística se funda no amor, na confiança absoluta em Deus e na interioridade da experiência religiosa. Surgiu como uma reação à racionalização externa do Islã e incorporou, mais tarde, alguns elementos de outras religiões. O século XIII foi a idade de ouro do sufismo, quando começaram a surgir irmandades desde a Índia até o norte da África, e floresceu igualmente a poesia mística, com o emprego de imagens amorosas.
A doutrina sufista distingue entre o que denomina "etapa", os esforços para avançar no "caminho", e "estado", os dons outorgados por Deus. As principais etapas são o arrependimento, a abstinência, a renúncia, a pobreza, a paciência, a confiança em Deus e a satisfação. Os estados são a meditação, a aproximação de Deus, o amor, o temor, a esperança, o anseio, a intimidade, a tranqüilidade, a contemplação e a certeza. Para seguir o "caminho", é necessária a orientação de um mestre, a quem se deve obedecer em tudo. O objetivo último do discípulo é a contemplação a Deus, alcançada após a experiência do êxtase.
Filosofia. A filosofia islâmica buscou fundamentar as verdades do Alcorão na razão. Num primeiro período, estimulados pela descoberta das obras dos autores gregos, os filósofos deram prioridade ao estudo científico. A tendência a harmonizar razão e fé chegou ao auge com Avicena (século XI), que se inspirou em Aristóteles. Graças a ele e a outros pensadores árabes, recuperou-se grande parte do saber clássico no Ocidente. Obscurecida pela influência do sufismo a partir do século XII, a filosofia ressurgiu, nos séculos XVI e XVII, finalmente, na Pérsia e na Turquia com a "nova sabedoria", que integrava elementos das escolas anteriores e preparou o caminho para a superação da dicotomia entre tradicionalismo e modernismo.
História do Islã
O estudo das divisões dinásticas e políticas convencionais do Islã permite retratar como os muçulmanos, ao longo de 14 séculos, conquistaram novos povos e construíram uma civilização e religião internacional.
O Islã foi fundado no século VII da era cristã, na Arábia, por Maomé, como uma religião monoteísta que enfatiza a adesão rigorosa a certas práticas religiosas. A religião muçulmana, assentada na escritura sagrada, o Alcorão, converteu-se numa força unificadora de diversos povos, a partir do elemento original árabe. O império que se formou em virtude da expansão muçulmana pelo Oriente e Ocidente não foi apenas árabe, tampouco teve uma tendência religiosa única. Apesar de criadas diversas facções e seitas, o sentimento de coesão do mundo muçulmano não diminuiu. Essa coesão baseou-se no monoteísmo e na prática religiosa, regedora também da vida civil e da justiça, e principal impulsionadora da expansão territorial, da pregação e da guerra santa.
Filosofia islâmica
O pensamento árabe representou, em suas mais remotas origens, uma dinâmica projeção dos grandes sistemas filosóficos gregos, ainda que vazado em língua semítica e fundamente modificado sob a influência oriental. A dimensão desse fato torna-se imensa quando se considera que o Ocidente deve aos filósofos árabes quase toda a preservação, já em nível crítico, do platonismo e, sobretudo, do aristotelismo.
Filosofia islâmica é o pensamento expresso em língua árabe e intimamente relacionado à religião muçulmana que floresceu entre os séculos VII e XV. Excluem-se dessa denominação as tendências modernas e contemporâneas da filosofia árabe, analisadas apenas como floração do Oriente dentro e fora dos limites da Idade Média latina.
Na origem e, a rigor, ao longo de toda a sua evolução, a filosofia árabe transmite ao mundo ocidental os fundamentos de quase todo o pensamento filosófico do Renascimento, em particular na Espanha e na Itália. Sem a contribuição dos comentadores árabes, o Renascimento seria depositário apenas do monólogo cristão da Idade Média. Seria correto dizer que os próprios pensadores medievais, em particular os tomistas, pagaram pesado tributo a esses ousados "heréticos" orientais.
Maomé
Político talentoso, chefe militar e legislador, Maomé, fundador da religião muçulmana e do império árabe, teve na religião sua área de interesse privilegiado.
Abulqasim Mohamed ibn Abdala ibn Abd al-Mutalib ibn Hashim, Maomé (ou, nas formas tradicionais portuguesas, Mafoma, Mafamede) nasceu em Meca, na atual Arábia Saudita, provavelmente no ano 570 da era cristã. O nome Maomé significa "altamente louvado". Pertencia ao clã dos Hashim (Banu Hashim), um dos ramos da tribo dos coraixitas (Qoreish, Quraish ou Qoraish), guardiã da Caaba, templo nacional do povo árabe. Os dois clãs em que se subdividia a tribo dos coraixitas -- os hachemitas e os omíadas -- ocupavam todas as posições importantes da comunidade desde 440, mas os primeiros aos poucos perderam a fortuna e a influência. Órfão muito cedo, Maomé foi criado primeiramente pelo avô paterno, Abd al-Mutalib, e mais tarde pelo tio, Abu Talib, coletor de impostos e mercador, que o iniciou nas artes do comércio. Aos 25 anos, já com a reputação de comerciante honesto e bem-sucedido, casou-se com a rica viúva Cadidja, 15 anos mais velha do que ele. O matrimônio durou até a morte de Cadidja, vinte anos depois.
A Arábia politeísta do tempo de Maomé sofria várias influências externas, tanto do cristianismo de Bizâncio como das idéias religiosas judaicas, abissínicas e persas. Meca era um importante e próspero centro comercial e religioso, que abrigava na Caaba os ídolos de todas as tribos da península e os deuses da religião de todos os chefes de caravana que ali passavam. Cultuavam-se ali mais de 360 deuses. Preocupado com a idéia de restabelecer a religião monoteísta de Abraão (Ibrahim, em árabe), Maomé teria tido uma visão do arcanjo Gabriel, que lhe revelou a religião que deveria professar. As revelações teriam se repetido durante toda a vida do profeta e logo começaram a ser registradas por escrito. Por volta do ano 650, Maomé formou com elas o Alcorão (ou Corão), livro sagrado muçulmano. A nova religião foi chamada islamismo ou Islã, que significa "submissão à vontade divina", e seus adeptos, muçulmanos, "os que se submeteram".
Início da pregação. Nos primeiros tempos, a pregação de Maomé dirigiu-se a reduzido número de amigos e parentes. Só depois, por volta de 615, ele tornou pública sua mensagem relativa à existência de um deus único e todo-poderoso, chamado em árabe Alá, de quem se intitulava mensageiro ou profeta. Os omíadas cedo perceberam que os novos ensinamentos monoteístas representavam uma ameaça a sua hegemonia política e econômica e um perigo social. Maomé e seus seguidores foram perseguidos e os membros de seu clã, os hachemitas, submetidos a pressões. Muitos muçulmanos foram obrigados a fugir para a Etiópia. O próprio Maomé refugiou-se no deserto, num castelo pertencente a Abu Talib. Em 617 ou 619, o chamado "ano do luto", morreram Cadidja e Abu Talib.
Hégira e Medina. Pouco depois, Maomé recebeu um convite para fazer de Yathrib, cidade localizada ao norte de Meca, a sede de seu apostolado. Pelo pacto de Aqaba, as tribos de Yathrib aceitavam a fé muçulmana e reconheciam Maomé como seu líder religioso e militar. Iniciou-se, a partir de então, a migração gradativa dos adeptos da nova religião residentes em Meca para Yathrib. O deslocamento só terminou com a chegada do profeta à cidade, em 25 de setembro de 622. O ano da Hégira ("saída" ou "fuga") tornou-se o ponto inicial da cronologia maometana. A cidade de Yathrib passou então a chamar-se Medina (Madinat an Nabi, isto é, Cidade do Profeta).
Nesse mesmo ano, o Islã afirmou-se não só como religião, mas como comunidade organizada. Maomé estabeleceu a constituição medinense e insistiu no dogma da guerra santa (jihad). Das três batalhas contra Meca, perdeu apenas a segunda. Nessa época, já resolvera dar a maior difusão possível à nova fé, com o que surgiu a idéia do pan-islamismo. Muitos árabes e alguns judeus abraçaram a nova religião. Aos que a repeliram, Maomé declarou guerra e obrigou os vencidos a aceitar a nova fé ou pagar tributos especiais.
Meca. O objetivo seguinte era a conquista de Meca. Maomé recorreu à diplomacia e declarou seu intento de manter a peregrinação anual a Meca como um dos rituais básicos do islamismo. Conversações entre as duas partes tiveram como resultado o Tratado de Hudaibia, que punha fim às hostilidades e autorizava os muçulmanos a peregrinar a Meca no ano seguinte. Declarou-se uma trégua de dez anos, que Maomé aproveitou para fortalecer sua posição e aumentar o número de seus adeptos.
Em 630, Meca violou o pacto de Hudaibia, ao apoiar uma tribo que atacara um grupo de simpatizantes do profeta. Maomé valeu-se desse pretexto para avançar sobre a cidade, à frente de um exército de dez mil homens, e apoderar-se dela. Demonstrando mais uma vez grande visão política, o profeta manteve a peregrinação anual e o caráter sagrado da Caaba -- embora tenham sido destruídos os inúmeros ídolos pagãos adorados em Meca -- e agiu com magnanimidade ao perdoar os rebeldes.
No auge de seu poder, Maomé passou a receber diversos representantes tribais que vinham solicitar aliança e pagar tributo. Constituiu-se uma federação de tribos, embrião do estado islâmico, e o profeta dirigiu a unificação do povo árabe. Maomé voltou a Meca no início de 632 e dirigiu pessoalmente a peregrinação. De volta a Medina, morreu em 8 de junho de 632, sem haver nomeado um sucessor.
Maomé e o Alcorão. A base doutrinal criada por Maomé e o Alcorão constituem o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura da religião islâmica. O Alcorão ou Corão (al-Quran), é a coletânea dos versos recitados pelo profeta, graças -- segundo a tradição muçulmana -- a revelações feitas a ele por Deus, por intermédio do anjo Gabriel. As 114 suratas (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteísmo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade.
Desde o início de suas pregações, Maomé infundiu em seus seguidores um profundo sentimento de fé e de fraternidade, intensificada em conseqüência das perseguições que o fizeram deixar Meca, mudando-se para Medina, com amigos e parentes, em 16 de julho de 622. Única data da vida do profeta em relação à qual todos os muçulmanos estão de acordo, a hégira (emigração, separação) marca o início da era islâmica. Depois da hégira, o profeta formou uma comunidade religiosa e política, a umma ou comunidade de crentes, que se perpetuou no Islã como uma religião-estado -- fusão que não foi contestada até o século XX.
Expansão territorial. Durante o governo dos quatro primeiros califas sucessores de Maomé e sob a dinastia omíada (661-750), o Islã estendeu-se em função das conquistas obtidas na guerra santa e da atuação das organizações místicas. Com a dinastia abássida, que perdurou até 1258, o império se fragmentou. Formaram-se vários estados, regidos por diferentes dinastias independentes, no norte da África, na península ibérica, Pérsia e em outros domínios. Apesar da divisão política, o Islã não perdeu sua unidade religiosa, institucional e econômica. A partir do século XII, a expansão da mística islâmica abriu novos caminhos para a religião, na Ásia central, Índia, Indonésia, Turquia e norte da África. Na Europa, o islamismo perdeu, no século XV, seus últimos reinos na Espanha e, depois da queda do império otomano, manteve somente redutos nos Balcãs e na Rússia meridional.
Fontes doutrinais. A doutrina islâmica baseia-se em três fontes ou princípios fundamentais, além do Alcorão: o suna (tradições), o ijma (consenso) e o ijtihad (pensamento individual).
Suna. O conjunto de ensinamentos e atos de Maomé, a suna, está documentado no hadith. O grupo islâmico majoritário e considerado ortodoxo, o sunita, aceita seis coleções diferentes, que foram compiladas durante o século IX da era cristã (III da hégira). Outro grupo importante, o xiita, tem seu próprio hadith.
Ao procurarem garantir a autenticidade desses ensinamentos e atos, os sábios muçulmanos se detiveram menos na pureza do conteúdo do que na cadeia dos transmissores, em sua idoneidade e na proximidade com relação ao Profeta. A investigação da autenticidade do hadith constituiu tarefa fundamental dos estudos islâmicos. A exigência dessa garantia na transmissão foi mais rigorosa com relação aos textos legais do que com os de mera exortação espiritual.
A coleção mais importante foi elaborada no século IX por Mohamed ibn Ismail al-Bukhari e é conhecida como o Livro da autêntica coleção. Essas coleções, além de seu valor religioso para os crentes, constituem uma exaustiva enciclopédia legislativa, teológica, cerimonial, moral, social e comercial, que inclui aplicações práticas e exemplos moralizantes para o cotidiano.
Ijma. No segundo século da hégira, houve necessidade de fixar, por consenso universal (ijma), as prescrições legais e as práticas que derivavam do Alcorão. Em princípio, o ijma funcionava em favor da autoridade tradicional, uma vez que se referia sempre aos acordos passados e reconhecia opiniões conservadoras. Atualmente, no entanto, dá maior relevo aos elementos liberais e democráticos inerentes a sua própria natureza.
Ijtihad. O esforço de adaptação do Alcorão a novas situações (ijtihad) foi importante no primeiro século do Islã. Nessa época, o ijtihad tomou a forma de opinião pessoal, o que deu origem a muitos conflitos. Nos séculos seguintes, a reflexão individual foi substituída por uma analogia rigorosa entre novas situações e os textos já adotados. Compilados os ensinamentos e atos de Maomé e estabelecido o consenso universal, o esforço individual de adaptação do Alcorão às novas situações foi limitado. Pensadores muçulmanos, no entanto, como Algazali, no século XI, e os reformadores dos séculos XVIII e XIX, voltaram a reivindicar a reflexão individual.
Pilares do Islã. As características básicas da organização social e religiosa que definem o islamismo para todos os fiéis ficaram conhecidas como os "cinco pilares" (arkan) do Islã. Algumas seitas, como a dos caridjitas, tentaram, sem sucesso, incluir um sexto pilar, o jihad ou guerra santa.
Profissão de fé. "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta". Essencial para ingressar na comunidade islâmica, a profissão de fé (chahada, literalmente "testemunho") deve ser pronunciada clara e conscientemente, com profundo entendimento e aceitação, ao menos uma vez na vida, embora seja repetida, na verdade, com freqüência e em todas as ocasiões importantes. O reconhecimento de Maomé como profeta iluminado por Alá implica a crença num só Deus criador, nos anjos, nos profetas (basicamente Adão, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé), na ressurreição, no juízo e na recompensa em outra vida.
Oração. O segundo pilar consiste de uma oração ritual que deve ser proferida cinco vezes ao dia, com o rosto voltado para Meca: ao amanhecer, ao meio-dia, entre as três e as cinco, antes do pôr-do-sol e à noite. Não existe outra liturgia senão a da palavra; não existe um clero propriamente dito, mas somente pregadores e encarregados de fazer a chamada para a oração (almuadens) e de dirigi-la (imãs); às sextas-feiras celebra-se a oração na mesquita, precedida de um sermão de caráter moral, social ou político.
Pagamento de dízimo. O zacat (purificação) constitui uma esmola, que deve ser paga anualmente, em moeda ou mercadorias. É coletada pelo estado e destina-se aos pobres, ao resgate dos cativos ou dívidas crônicas, à guerra santa -- e, por extensão, à educação e à saúde -- e às peregrinações.
Jejum. Durante o ramadã (nono mês do calendário muçulmano), está prescrito um rigoroso jejum. Nesse período, desde o nascer até o pôr-do-sol, é vedado comer, beber, fumar, perfumar-se e manter relações conjugais. Durante a noite, porém, tudo volta a ser lícito. Os enfermos ou viajantes podem adiar o jejum para data futura e por igual número de dias. Os que contam com recursos suficientes devem custear, também, a alimentação de um indigente.
Peregrinação a Meca. Ao menos uma vez na vida, todo muçulmano que tiver recursos deve peregrinar a Meca (haj) no último mês do ano. O peregrino tem que visitar a Mesquita Sagrada, no centro da qual se encontra a Caaba, rodear sete vezes essa construção cúbica -- três correndo e quatro vagarosamente --, tocar e beijar a pedra negra de Abraão (meteorito localizado no ângulo este da Caaba), beber água no poço de Zemzem, correr sete vezes a distância entre os montes Safa e a Marva, ir até o monte Arafat e a Mina, onde os fiéis atiram pedras contra colunas baixas (lapidação do diabo) e sacrificar um animal em memória de Abraão, considerado o primeiro profeta, construtor da Caaba e pai dos árabes.
Tendências teológicas e doutrinais
A teologia e filosofia islâmica é um esforço de esclarecimento racional e de defesa da fé. Os pensadores muçulmanos mantêm uma posição intermediária entre os tradicionalistas, que se prendem às expressões literais das primeiras fontes da doutrina islâmica, e aqueles cuja razão os levou a abandonar completamente a comunidade islâmica. No princípio, a teologia ligou-se à mera interpretação do Alcorão. Já no século seguinte a Maomé, formularam-se problemas relacionados ao dogma da unidade de Deus e à conciliação entre a onipotência divina e a liberdade humana.
Seitas. Apesar da noção de comunidade unificada e consolidada, conforme ensinado pelo Profeta, sérias divergências surgiram entre os muçulmanos imediatamente após a morte de Maomé. Este não deixou filhos, nem estabeleceu regras de sucessão. Os dois primeiros califas, Abu Bakr e Omar eram sogros de Maomé e sua eleição não foi discutida. A eleição de Uthman, da família omíada e genro do profeta, causou polêmica maior. Depois do assassinato de Uthman, em 656, Ali, primo e genro de Maomé, assumiu o califado, o que deu origem a um cisma no Islã. A principal divergência dizia respeito ao caráter do governo da comunidade: o governante deveria ser um continuador da missão profética de Maomé ou um simples governante civil? Os partidários de Ali optaram pela primeira hipótese, mas a segunda acabou por prevalecer na maior parte do mundo islâmico, ficando os xiitas (partidários de Ali) isolados no Irã e em parte do Iraque. Começou assim a guerra interna.
Com o assassinato de Ali, em 661, teve início a dinastia omíada, mas as desavenças continuaram. Diferentes posições com relação à sucessão deram origem a quatro seitas básicas: caridjitas, mutazilitas, sunitas e xiitas. As duas últimas prevaleceram e motivaram o aparecimento de diferentes tendências teológicas, que ainda hoje perduram. Essas seitas divergiam fundamentalmente quanto a questões de sucessão e quanto a certos matizes teológicos. Todas elas, no entanto, aceitavam a palavra de Maomé além dos cinco pilares do Islã.
Caridjitas. Chamados "rebeldes", os caridjitas apoiaram Ali no início, mas se voltaram contra ele, acusando-o de ter cometido grave pecado ao fugir do combate e recorrer a julgamento para defender seu direito ao califado. Preconizavam que o pecador que não se arrepende sinceramente de seus erros deixa de pertencer ao Islã, porque a profissão de fé nada significa se não corresponde à ação. Pregavam também o jihad, ou guerra santa, como um dos pilares do Islã. Essa seita fanática foi extinta no segundo século da hégira.
Mutazilitas. No sentido literal, mutazilita quer dizer "o que se separa", numa referência ao fato de que os membros da seita se mantiveram afastados de idéias radicais sobre fé e infidelidade. Os mutazilitas adotaram uma postura intermediária entre Ali e seus inimigos. Teologicamente defendiam a liberdade humana e consideravam a ação parte essencial da fé. Segundo eles, a razão pode discernir o bem do mal, motivo pelo qual a revelação constitui uma ajuda, mas não é indispensável. Para os mutazilitas, Deus é pura essência, pois atributos romperiam sua unidade. Esses humanistas perseguiram duramente seus inimigos, quando, no século II da hégira, conseguiram impor temporariamente suas crenças.
Sunitas. Seguidores da seita mais importante em contraposição aos xiitas, os sunitas se definem como ortodoxos, seguidores da tradição, a suna. Suas doutrinas remontam à época dos cismas, mas só foram explicitamente formuladas como "teologia ortodoxa", no século X. Reagiram contra as divergências doutrinais e admitiram a legitimidade dos quatro califas eleitos. Para eles, a maioria não pode errar porque está protegida por Deus. Pragmáticos e tolerantes, acreditam que nenhum grupo deve ser excluído, a não ser que renuncie ao Islã. Aceitam uma síntese entre a responsabilidade humana e a onipotência divina. As ações, de acordo com os sunitas, reforçam a fé, mas não são essenciais. Dividiram-se em quatro ritos ou escolas.
Xiitas. Defensores de Ali e do direito de sucessão da família do profeta, tese que usaram contra o poder omíada, os xiitas logo desenvolveram uma base teológica para suas concepções políticas. Sob influências gnósticas e persas, transformaram a figura do governante, o imã, num ser metafísico, manifestação de Deus. Pelo contato com o infalível imã, é possível descobrir os sentidos ocultos das revelações do Alcorão. Os xiitas reconhecem 12 encarnações do imã, que, segundo eles, voltará no fim do mundo com a verdade e a justiça. Divididos em diversos grupos, praticam flagelações e duras penitências em celebrações.
Sufistas. Nascido do ascetismo, mais exatamente como um movimento místico, o sufismo não pode ser considerado uma seita. Sua mística se funda no amor, na confiança absoluta em Deus e na interioridade da experiência religiosa. Surgiu como uma reação à racionalização externa do Islã e incorporou, mais tarde, alguns elementos de outras religiões. O século XIII foi a idade de ouro do sufismo, quando começaram a surgir irmandades desde a Índia até o norte da África, e floresceu igualmente a poesia mística, com o emprego de imagens amorosas.
A doutrina sufista distingue entre o que denomina "etapa", os esforços para avançar no "caminho", e "estado", os dons outorgados por Deus. As principais etapas são o arrependimento, a abstinência, a renúncia, a pobreza, a paciência, a confiança em Deus e a satisfação. Os estados são a meditação, a aproximação de Deus, o amor, o temor, a esperança, o anseio, a intimidade, a tranqüilidade, a contemplação e a certeza. Para seguir o "caminho", é necessária a orientação de um mestre, a quem se deve obedecer em tudo. O objetivo último do discípulo é a contemplação a Deus, alcançada após a experiência do êxtase.
Filosofia. A filosofia islâmica buscou fundamentar as verdades do Alcorão na razão. Num primeiro período, estimulados pela descoberta das obras dos autores gregos, os filósofos deram prioridade ao estudo científico. A tendência a harmonizar razão e fé chegou ao auge com Avicena (século XI), que se inspirou em Aristóteles. Graças a ele e a outros pensadores árabes, recuperou-se grande parte do saber clássico no Ocidente. Obscurecida pela influência do sufismo a partir do século XII, a filosofia ressurgiu, nos séculos XVI e XVII, finalmente, na Pérsia e na Turquia com a "nova sabedoria", que integrava elementos das escolas anteriores e preparou o caminho para a superação da dicotomia entre tradicionalismo e modernismo.
História do Islã
O estudo das divisões dinásticas e políticas convencionais do Islã permite retratar como os muçulmanos, ao longo de 14 séculos, conquistaram novos povos e construíram uma civilização e religião internacional.
O Islã foi fundado no século VII da era cristã, na Arábia, por Maomé, como uma religião monoteísta que enfatiza a adesão rigorosa a certas práticas religiosas. A religião muçulmana, assentada na escritura sagrada, o Alcorão, converteu-se numa força unificadora de diversos povos, a partir do elemento original árabe. O império que se formou em virtude da expansão muçulmana pelo Oriente e Ocidente não foi apenas árabe, tampouco teve uma tendência religiosa única. Apesar de criadas diversas facções e seitas, o sentimento de coesão do mundo muçulmano não diminuiu. Essa coesão baseou-se no monoteísmo e na prática religiosa, regedora também da vida civil e da justiça, e principal impulsionadora da expansão territorial, da pregação e da guerra santa.
Filosofia islâmica
O pensamento árabe representou, em suas mais remotas origens, uma dinâmica projeção dos grandes sistemas filosóficos gregos, ainda que vazado em língua semítica e fundamente modificado sob a influência oriental. A dimensão desse fato torna-se imensa quando se considera que o Ocidente deve aos filósofos árabes quase toda a preservação, já em nível crítico, do platonismo e, sobretudo, do aristotelismo.
Filosofia islâmica é o pensamento expresso em língua árabe e intimamente relacionado à religião muçulmana que floresceu entre os séculos VII e XV. Excluem-se dessa denominação as tendências modernas e contemporâneas da filosofia árabe, analisadas apenas como floração do Oriente dentro e fora dos limites da Idade Média latina.
Na origem e, a rigor, ao longo de toda a sua evolução, a filosofia árabe transmite ao mundo ocidental os fundamentos de quase todo o pensamento filosófico do Renascimento, em particular na Espanha e na Itália. Sem a contribuição dos comentadores árabes, o Renascimento seria depositário apenas do monólogo cristão da Idade Média. Seria correto dizer que os próprios pensadores medievais, em particular os tomistas, pagaram pesado tributo a esses ousados "heréticos" orientais.
Maomé
Político talentoso, chefe militar e legislador, Maomé, fundador da religião muçulmana e do império árabe, teve na religião sua área de interesse privilegiado.
Abulqasim Mohamed ibn Abdala ibn Abd al-Mutalib ibn Hashim, Maomé (ou, nas formas tradicionais portuguesas, Mafoma, Mafamede) nasceu em Meca, na atual Arábia Saudita, provavelmente no ano 570 da era cristã. O nome Maomé significa "altamente louvado". Pertencia ao clã dos Hashim (Banu Hashim), um dos ramos da tribo dos coraixitas (Qoreish, Quraish ou Qoraish), guardiã da Caaba, templo nacional do povo árabe. Os dois clãs em que se subdividia a tribo dos coraixitas -- os hachemitas e os omíadas -- ocupavam todas as posições importantes da comunidade desde 440, mas os primeiros aos poucos perderam a fortuna e a influência. Órfão muito cedo, Maomé foi criado primeiramente pelo avô paterno, Abd al-Mutalib, e mais tarde pelo tio, Abu Talib, coletor de impostos e mercador, que o iniciou nas artes do comércio. Aos 25 anos, já com a reputação de comerciante honesto e bem-sucedido, casou-se com a rica viúva Cadidja, 15 anos mais velha do que ele. O matrimônio durou até a morte de Cadidja, vinte anos depois.
A Arábia politeísta do tempo de Maomé sofria várias influências externas, tanto do cristianismo de Bizâncio como das idéias religiosas judaicas, abissínicas e persas. Meca era um importante e próspero centro comercial e religioso, que abrigava na Caaba os ídolos de todas as tribos da península e os deuses da religião de todos os chefes de caravana que ali passavam. Cultuavam-se ali mais de 360 deuses. Preocupado com a idéia de restabelecer a religião monoteísta de Abraão (Ibrahim, em árabe), Maomé teria tido uma visão do arcanjo Gabriel, que lhe revelou a religião que deveria professar. As revelações teriam se repetido durante toda a vida do profeta e logo começaram a ser registradas por escrito. Por volta do ano 650, Maomé formou com elas o Alcorão (ou Corão), livro sagrado muçulmano. A nova religião foi chamada islamismo ou Islã, que significa "submissão à vontade divina", e seus adeptos, muçulmanos, "os que se submeteram".
Início da pregação. Nos primeiros tempos, a pregação de Maomé dirigiu-se a reduzido número de amigos e parentes. Só depois, por volta de 615, ele tornou pública sua mensagem relativa à existência de um deus único e todo-poderoso, chamado em árabe Alá, de quem se intitulava mensageiro ou profeta. Os omíadas cedo perceberam que os novos ensinamentos monoteístas representavam uma ameaça a sua hegemonia política e econômica e um perigo social. Maomé e seus seguidores foram perseguidos e os membros de seu clã, os hachemitas, submetidos a pressões. Muitos muçulmanos foram obrigados a fugir para a Etiópia. O próprio Maomé refugiou-se no deserto, num castelo pertencente a Abu Talib. Em 617 ou 619, o chamado "ano do luto", morreram Cadidja e Abu Talib.
Hégira e Medina. Pouco depois, Maomé recebeu um convite para fazer de Yathrib, cidade localizada ao norte de Meca, a sede de seu apostolado. Pelo pacto de Aqaba, as tribos de Yathrib aceitavam a fé muçulmana e reconheciam Maomé como seu líder religioso e militar. Iniciou-se, a partir de então, a migração gradativa dos adeptos da nova religião residentes em Meca para Yathrib. O deslocamento só terminou com a chegada do profeta à cidade, em 25 de setembro de 622. O ano da Hégira ("saída" ou "fuga") tornou-se o ponto inicial da cronologia maometana. A cidade de Yathrib passou então a chamar-se Medina (Madinat an Nabi, isto é, Cidade do Profeta).
Nesse mesmo ano, o Islã afirmou-se não só como religião, mas como comunidade organizada. Maomé estabeleceu a constituição medinense e insistiu no dogma da guerra santa (jihad). Das três batalhas contra Meca, perdeu apenas a segunda. Nessa época, já resolvera dar a maior difusão possível à nova fé, com o que surgiu a idéia do pan-islamismo. Muitos árabes e alguns judeus abraçaram a nova religião. Aos que a repeliram, Maomé declarou guerra e obrigou os vencidos a aceitar a nova fé ou pagar tributos especiais.
Meca. O objetivo seguinte era a conquista de Meca. Maomé recorreu à diplomacia e declarou seu intento de manter a peregrinação anual a Meca como um dos rituais básicos do islamismo. Conversações entre as duas partes tiveram como resultado o Tratado de Hudaibia, que punha fim às hostilidades e autorizava os muçulmanos a peregrinar a Meca no ano seguinte. Declarou-se uma trégua de dez anos, que Maomé aproveitou para fortalecer sua posição e aumentar o número de seus adeptos.
Em 630, Meca violou o pacto de Hudaibia, ao apoiar uma tribo que atacara um grupo de simpatizantes do profeta. Maomé valeu-se desse pretexto para avançar sobre a cidade, à frente de um exército de dez mil homens, e apoderar-se dela. Demonstrando mais uma vez grande visão política, o profeta manteve a peregrinação anual e o caráter sagrado da Caaba -- embora tenham sido destruídos os inúmeros ídolos pagãos adorados em Meca -- e agiu com magnanimidade ao perdoar os rebeldes.
No auge de seu poder, Maomé passou a receber diversos representantes tribais que vinham solicitar aliança e pagar tributo. Constituiu-se uma federação de tribos, embrião do estado islâmico, e o profeta dirigiu a unificação do povo árabe. Maomé voltou a Meca no início de 632 e dirigiu pessoalmente a peregrinação. De volta a Medina, morreu em 8 de junho de 632, sem haver nomeado um sucessor.
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